Cultura

Cantora de MS lança 1º álbum no Japão com Marcos Valle e Lisa Ono: ouça a prévia

Mariana Matsui cantora sul-mato-grossense lança álbum no Japão com Marcos Valle e Lisa Ono
Mariana Matsui estreia álbum no Japão unindo MPB, bossa nova e clássicos nipônicos com Marcos Valle e Lisa Ono.

A cantora douradense Mariana Matsui estreia seu primeiro álbum de estúdio no mercado japonês no dia 28 de outubro, unindo MPB, bossa nova e clássicos nipônicos em nove faixas que revelam uma identidade sonora forjada entre dois mundos. O projeto carrega participações de peso como Marcos Valle e Lisa Ono, além de arranjos que transitam entre jazz e soul.

Mas o que torna esse lançamento um marco para a música brasileira no exterior vai muito além da tracklist.

De Dourados aos palcos de Tóquio

Nascida em Dourados (MS), Mariana deu os primeiros passos na música aos oito anos, entre aulas de canto popular e violão. A formação técnica veio depois no Conservatório Souza Lima & Berklee College of Music, em São Paulo. O salto internacional aconteceu em 2021, quando decidiu morar no Japão por algumas temporadas — experiência que define como decisiva para o amadurecimento artístico.

Desde então, seu currículo soma apresentações no Blue Note (São Paulo e Tóquio), Billboard Live Tokyo, Fuji Rock Festival e no Pavilhão da França na EXPO 2025 Osaka.

O choque cultural que virou método criativo

Viver no Japão revelou a Mariana uma ética de trabalho baseada em pontualidade, respeito coletivo e reverência ao ofício do artista. Valores que ela incorporou à rotina. Em contrapartida, sentiu falta da malemolência e da improvisação típicas da música brasileira.

Esse trânsito constante entre duas formas de sentir o tempo e a arte virou a espinha dorsal do disco. Não é fusão forçada: é diálogo.

Faixas que contam histórias de duas nações

  • Mentira (Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle) — regravação do clássico de 1973, gravada com o próprio Marcos Valle. A canção, nascida sob censura da ditadura, ganha arranjo contemporâneo sem perder a urgência original.
  • Kawa no nagare no yō ni — eternizada por Hibari Misora (1989), aqui reinterpretada ao lado de Lisa Ono com produção de Mao Sone (piano e trompete). O single de estreia evoca memórias de infância nas colônias nipo-brasileiras.
  • Somewhere — autoral com o trompetista japonês Takuya Kuroda.
  • Lullaby — composta na gravidez do primeiro filho, registrada em take único por Jaques Morelenbaum (violoncelo) e Salomão Soares (piano).
  • Outras: Olhos Morenos, Abençoa, Oxum (Tua Filha) (com Saulo Fernandes e Renato Iwai), Fotografia (Tom Jobim) e Manatsu no kajitsu (clássico japonês).

A base instrumental reúne Conrado Goys, Fabio Sá e Thiago Rabello.

O mercado que ainda valoriza o físico

Além do lançamento digital em 28 de outubro, uma edição especial em CD chega às principais lojas de Tóquio no dia 18 de novembro. No Japão, o formato físico mantém força comercial e simbólica — fãs compram, colecionam e exigem qualidade de encarte e prensagem.

Para celebrar, Mariana cumpre agenda intensa em novembro:

  • 3/11 — Festival Bossa Aoyama
  • 6/11 — Performance com o artista de ikebana Ryota Hagiwara
  • 8/11 — Local Green Festival (Yokohama)
  • 16/11 — Show de lançamento exclusivo na Soho House Tokyo

O que observar daqui pra frente

O álbum posiciona Mariana como uma ponte rara: artista brasileira com trajetória consolidada no circuito japonês de jazz e world music, cantando em português e japonês com naturalidade. O próximo passo natural é a circulação desse repertório em turnês pela Europa e EUA, onde a demanda por sonoridades híbridas e narrativas de identidade múltipla cresce ano a ano.

Para quem acompanha a música brasileira além das fronteiras, esse disco é mais que uma estreia — é um caso de estudo sobre como construir carreira internacional sem apagar a origem.