A avaliação negativa do governo Lula atingiu o menor patamar desde dezembro de 2024, com saldo de apenas 3 pontos percentuais. O dado parece positivo, mas esconde uma dinâmica que todo investidor e empresário precisa monitorar de perto.
O que os números mostram de concreto
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) revela que a diferença entre “ruim/péssimo” e “ótimo/bom” encolheu para 3 pontos negativos. Para contextualizar: Jair Bolsonaro registrava saldo negativo de 1 ponto no mesmo período do ciclo eleitoral de 2022. A aproximação é matemática, mas o cenário político é distinto.
O levantamento aponta ainda uma redução de 2,3 pontos na distância para o principal adversário testado, Flávio Bolsonaro (PL). O movimento, embora dentro da margem de erro, desenha uma “tendenciazinha” consistente em segmentos-chave.
O impacto direto nos segmentos que movem a economia
Para quem toma decisão de negócios, o recorte demográfico vale mais que a manchete. A recuperação não é uniforme; ela pulsa onde a renda e o consumo se concentram:
- Jovens (16 a 24 anos): redução de 12,6 pontos na vantagem adversária.
- Nordeste: queda de 8,6 pontos na diferença.
- Ensino médio: aproximação de 8,2 pontos.
- Renda até 2 salários mínimos: estreitamento de 4,2 pontos.
- Interior do país: recuo de 5 pontos no déficit.
São nesses estratos que a confiança do consumidor e a massa salarial real ditam o ritmo do varejo e do crédito.
Por que a avaliação melhorou agora
O governo estava estagnado desde meados de setembro. A virada coincide com uma ofensiva coordenada: mobilização de rua, uso intensivo de redes sociais via “Exército de Lula” — capitaneado pelo deputado André Janones (Rede-MG) — e adoção de táticas de comunicação agressivas, espelhando o modelo bolsonarista de 2022.
O PT redescobriu a militância de massa que ignorava desde a posse. Havia um vácuo entre a cúpula partidária envelhecida e a base digital. O choque de realidade forçou a máquina a operar no território onde o eleitorado decide: as ruas e os algoritmos.
O viés oculto nas urnas versus nas pesquisas
Historicamente, desde 2018, a direita tem comparecido às urnas com mais volume do que indicam os levantamentos de véspera. Não é uma lei física, mas um padrão estatístico relevante para gestão de risco. Se o padrão se repetir, a “vitória” nas pesquisas pode não se traduzir em governabilidade estável.
Além disso, a melhora atual ainda deixa o saldo no vermelho. Avaliação ruim segue sendo obstáculo estrutural para reeleição, não apenas um detalhe conjuntural.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão se o movimento se consolida ou reverte: a sustentação da aprovação nas classes C/D/E sem detonar a inflação de serviços; a capacidade do governo de manter a mobilização digital sem desgastar a imagem institucional; e a reação do centro político — ainda majoritário no Congresso — diante de um Executivo que opera em modo de campanha permanente. Para o capital, a leitura é clara: volatilidade política permanece alta, mas a janela de articulação legislativa pode se fechar ou abrir a depender desses próximos 30 dias de termômetro nas ruas.
