Tecnologia

Censura nas redes: 50 entidades pressionam TSE e expõem bastidores da eleição 2026

Representação gráfica de censura digital: logos de redes sociais com tarjas vermelhas sobre fundo do TSE e manifestação popular
Cinquenta entidades denunciam censura nas plataformas digitais às vésperas da eleição presidencial de 2026

Cinquenta organizações da sociedade civil protocolaram uma nota no TSE denunciando riscos de censura nas grandes plataformas digitais às vésperas da eleição presidencial. O documento aponta bloqueios seletivos, queda de alcance e até a desativação de ferramentas de anúncio da campanha à reeleição. O que está por trás dessa ofensiva?

A mobilização partiu do DiraCom — Direito à Comunicação e Democracia —, coalizão que reúne movimentos populares, sindicatos e entidades de direitos digitais. A peça central da denúncia: “forças poderosas atuam contra as eleições de 2026 no Brasil, com o objetivo de desestabilizar a integridade do processo eleitoral”.

O que as plataformas fizeram, segundo as entidades

Relatos compilados pelas organizações descrevem um padrão:

  • Bloqueio de contas de comunicadores e perfis políticos sem justificativa clara
  • Redução drástica de alcance orgânico em publicações de oposição ao governo federal
  • Desativação da conta de anúncios oficial da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Em resposta, o TSE deu prazo de 24 horas para Meta e X explicarem os critérios de distribuição de material político. A decisão partiu do corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

O embate interno no tribunal

A nota também mira decisões do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Ele atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou pente-fino no canal “Exército do Lula” no WhatsApp, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

O movimento gerou reação imediata: o ministro Floriano de Azevedo Marques proibiu que qualquer membro da Corte suspenda ou restrinja o canal por decisão monocrática. A medida blinda o espaço de comunicação contra novas ordens individuais.

O que as entidades exigem concretamente

Na petição ao corregedor, o DiraCom estabelece três condições para qualquer ação contra desinformação:

  • Base em provas concretas, não em suspeitas genéricas
  • Respeito ao devido processo legal
  • Preservação da liberdade de expressão

O argumento central: moderação opaca e decisões unilaterais de ministros criam insegurança jurídica e abrem brecha para interferência política no debate público.

O posicionamento das big techs

Procurada, a Meta informou ao TSE que o “Exército do Lula” não viola suas políticas de uso. A declaração contrasta com a ordem de pente-fino e reforça a tese das entidades: há desencontro entre o que as plataformas aplicam e o que o tribunal determina.

O X (antigo Twitter) ainda não se manifestou publicamente sobre o prazo de 24 horas.

O que observar nas próximas semanas

Três frentes definirão o rumo desse conflito:

  • Respostas formais de Meta e X ao TSE — o conteúdo pode revelar critérios internos de moderação
  • Eventual julgamento colegiado sobre os poderes de ministros individuais para ordenar remoções
  • Reação do Congresso a eventuais projetos de regulação de plataformas durante o período eleitoral

Para empresários e investidores, o sinal de alerta é claro: a instabilidade regulatória e o uso político de ferramentas de moderação podem impactar estratégias de comunicação, anúncios digitais e reputação de marca em ano de eleição presidencial.