A Disney suspendeu as gravações do The Voice Brasil marcadas para o próximo domingo, 26 de outubro, após a equipe técnica da produtora Formata se recusar a trabalhar no dia do segundo turno. A decisão evita riscos jurídicos e garante o voto de dezenas de profissionais.
O anúncio partiu do próprio conglomerado na tarde de ontem, mas a pressão nos bastidores vinha crescendo desde a semana passada. O que parecia um ajuste de agenda virou caso de polícia eleitoral.
O estopim: escala fixa ignorou o calendário oficial
A Formata, parceira do SBT no formato, mantém o costume de gravar aos domingos. Só que ninguém conferiu — ou ninguém quis conferir — a data do segundo turno. Quando a escala vazou, o clima azedou na hora.
Técnicos de som, iluminadores, operadores de câmera e assistentes de produção perceberam que o horário de chamada coincidia com o funcionamento das seções eleitorais. A proposta de votar de manhã e gravar à tarde foi rejeitada pela gerência em um primeiro momento.
Pela legislação, o empregador é obrigado a liberar o funcionário para votar. O artigo 297 do Código Eleitoral prevê detenção de até seis meses e multa para quem “embaraçar, impedir ou dificultar” o sufrágio. O risco era real e a Disney não quis apostar.
Disney assume o controle e blinda a produção
Dona dos direitos de transmissão no Brasil, a Disney emitiu nota curta e direta: “As próximas gravações do The Voice Brasil acontecerão no decorrer da próxima semana. Não terá gravação no domingo.”
O comunicado não cita a pressão interna, mas o timing entrega. A suspensão saiu horas depois de a colunista Fábia Oliveira, do Metrópoles, expor a revolta da equipe. SBT e Formata, procurados, preferiram o silêncio.
- Data original: domingo, 26 de outubro (segundo turno)
- Nova janela: semana de 27 a 31 de outubro
- Risco legal: art. 297 do Código Eleitoral — até 6 meses de detenção + multa
- Partes envolvidas: Disney (direitos), SBT (exibição), Formata (produção)
Por que isso importa para o mercado audiovisual
Produções de grande porte costumam tratar domingos como dias úteis. A exceção eleitoral, porém, não é opcional — e o caso expõe uma falha de compliance que pode custar caro em indenizações trabalhistas e multas eleitorais.
Advogados especializados em direito do entretenimento alertam: a simples existência de escala no dia da votação, sem plano B documentado, já configura indício de constrangimento. A reversão da Disney funciona como medida mitigadora, mas não apaga o precedente.
O que observar nas próximas semanas
O cronograma apertado do reality — fase de batalhas, shows ao vivo e final — deixa margem zero para novos imprevistos. Cada dia perdido pressiona orçamento, contratos de patrocínio e janelas de entrega para streaming.
Fique atento a dois movimentos: eventuais ações trabalhistas de quem se sentiu coagido antes do recuo, e a forma como SBT e Formata vão ajustar a logística para não repetir o erro em 2026. O calendário eleitoral não perdoa amadorismo.
