Economia

Retrocesso no ESG: 26% dos executivos vão cortar verba e gigantes reagem

Executivos em reunião corporativa discutem manifesto DEI enquanto gráficos mostram queda de investimentos ESG
Nove grandes coalizões empresariais lançam manifesto pró-DEI enquanto 26% dos executivos planejam cortar verba ESG.

Nove das maiores coalizões empresariais do país acabam de lançar um manifesto em defesa da diversidade, equidade e inclusão (DEI). O documento surge num momento delicado: pesquisa revela que 26% dos executivos pretendem reduzir investimentos em ESG neste ano, ante 20% em 2023. O que explica essa guinada conservadora no topo das corporações?

O recuo nos números que assusta o mercado

O levantamento da Data-Makers expõe uma mudança de rota tangível. O salto de seis pontos percentuais na intenção de cortar verbas de ESG sinaliza que a agenda social deixou de ser prioridade estratégica para uma fatia crescente da liderança executiva.

Esse movimento não acontece no vácuo. O manifesto aponta que direitos e valores considerados consolidados voltaram a ser questionados globalmente. A resposta das entidades — entre elas Movimento Mulher 360, Pacto Global da ONU no Brasil e Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero — foi definir uma linha de resistência.

O que o manifesto diz — e o que ele exige na prática

O texto não se limita a princípios abstratos. Ele estabelece que democracia, direitos humanos e respeito às diferenças são valores inegociáveis, amparados pela Constituição e por tratados internacionais assinados pelo Brasil.

Mais do que assinar embaixo, as entidades cobram ações concretas das companhias:

  • Escuta ativa dos grupos sub-representados;
  • Promoção de acessibilidade real, não apenas normativa;
  • Criação de oportunidades genuínas de desenvolvimento e liderança.

O documento reconhece que barreiras estruturais afetam certos grupos com mais intensidade e que a inclusão exige esforço deliberado e contínuo.

O argumento de negócios que ninguém pode ignorar

Há um cálculo pragmático por trás do idealismo. O manifesto conecta a agenda DEI diretamente à competitividade: atrair talentos, inovar e compreender consumidores diversos exige incorporar diferentes perspectivas às decisões estratégicas.

A influência das escolhas corporativas extrapola os muros da empresa. Carreiras, famílias, cadeias de fornecimento e territórios ao redor sentem o impacto — positivo ou negativo — dessas decisões. Ignorar essa externalidade é um risco de reputação e de mercado.

O que observar daqui para frente

O fechamento do manifesto amarra a agenda social à estabilidade institucional: segurança jurídica, liberdade e pluralidade são apresentadas como pré-condições para o desenvolvimento econômico sustentável.

Para o empresário e investidor, o sinal é claro. A disputa narrativa sobre o ESG migrou do “bom para a imagem” para o “essencial para a perenidade do negócio”. Monitorar como as grandes corporações alocam capital e desenham governança nos próximos trimestres será o termômetro real de quem está apenas assinando o documento — e de quem está efetivamente mudando a operação.