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TV aberta cai 1,5 ponto e streaming avança: o que os números do Ibope revelam sobre 2026

Gráfico mostra queda da TV aberta e crescimento do streaming no Brasil segundo dados do Ibope 2026
Dados do Ibope revelam migração do público da TV linear para plataformas digitais em setembro de 2024.

Dados do Ibope mostram que a TV linear perdeu 1 ponto percentual de participação em setembro, enquanto plataformas digitais somaram ganhos consistentes. A mudança parece sutil, mas sinaliza uma reorganização profunda na forma como o brasileiro consome vídeo — e quem anuncia ou produz conteúdo precisa entender para onde o público está migrando.

O consumo de vídeo on-line subiu de 37,2% para 38,2% em um único mês. Ao mesmo tempo, a TV aberta isolada recuou de 55,5% para 54%. São 1,5 ponto percentual a menos em 30 dias.

Onde exatamente a atenção foi parar

Três plataformas concentraram o avanço digital no período. O YouTube segue como líder absoluto entre os ambientes on-line e cresceu meio ponto: foi de 21,7% para 22,2%. A Netflix avançou de 5,5% para 6,1%. O TikTok, por sua vez, saiu de 5,3% para 5,5%.

Individualmente, as variações são fracionárias. Juntas, porém, compõem um movimento claro: o público não está abandonando o vídeo — está fragmentando a atenção entre formatos, telas e horários diferentes.

Por que isso importa para quem investe em mídia

  • Alcance pulverizado: não existe mais “a” grade única que entrega massa crítica de uma só vez.
  • Custo por contato: a dispersão eleva o custo efetivo de atingir a mesma audiência de antes.
  • Mensuração: comparar GRPs de TV linear com impressões de streaming exige metodologias distintas — e ainda não padronizadas.

O dado de setembro não é um pico isolado. A curva vem se desenhando há trimestres: a TV linear cai devagar, mas de forma contínua, enquanto o digital sobe em degraus pequenos e persistentes.

O que a TV tradicional ainda entrega — e onde está o risco

Mesmo com a queda, a TV aberta sozinha concentra 54% do consumo total de vídeo. Jornalismo ao vivo, grandes eventos esportivos e dramaturgia de horário nobre seguem como ativos de audiência simultânea que nenhuma plataforma digital replica na mesma escala.

O risco não é a extinção do meio, mas a dependência exclusiva da tela convencional. Conteúdo forte que não circula em cliques curtos, verticais, sob demanda ou em algoritmos de recomendação perde relevância para quem tem menos de 35 anos — justamente o público que define tendências de consumo futuro.

Estratégias que estão funcionando na prática

Emissoras que trataram o digital como extensão — e não como concorrente — conseguiram estancar a sangria de relevância. Três movimentos concretos:

  • Distribuir trechos de novelas e jornalísticos no YouTube e no TikTok no mesmo dia da exibição linear.
  • Criar formatos nativos para verticais (Reels, Shorts) com linguagem própria, não apenas cortes de horizontal.
  • Usar a base de dados de assinantes de plataformas próprias (Globoplay, PlayPlus, SBT Videos) para retargeting e oferta de pacotes cruzados a anunciantes.

O que observar nos próximos meses

O Ibope deve divulgar os dados de outubro nas próximas semanas. Dois indicadores merecem atenção especial: se o YouTube ultrapassa a barreira dos 23% sozinho — o que o colocaria a menos de 3 pontos da soma de todos os canais de TV paga — e se a Netflix mantém ritmo de ganho acima de 0,5 ponto por mês, o que aceleraria a convergência com a TV aberta em horários nobres específicos.

Para quem planeja mídia ou produz conteúdo, a leitura prática é uma só: a fragmentação não é mais cenário futuro. É a linha de base de 2026. Quem ainda desenha planos baseados apenas em grade linear está, na prática, ignorando quase 40% do consumo real de vídeo no país.