Economia

O segredo da Chery: nova marca premium chega ao Brasil em 2027…

Logotipo da Lepas, nova marca premium da Chery com SUVs híbridos e elétricos para o Brasil em 2027
Chery lança marca premium Lepas no Brasil em 2027 com linha de SUVs eletrificados.

O grupo Chery confirmou a estreia de sua quinta marca no país: a Lepas começa a operar em 2027 com uma família de SUVs híbridos e elétricos. O anúncio ocorreu durante cúpula na China, mas a montadora guardou o detalhe que mais importa ao investidor.

A definição do portfólio nacional e a estratégia de precificação ainda estão em aberto. Essa janela de dois anos pode redefinir o segmento premium de entrada.

Três SUVs, uma plataforma: o que vem por aí

No evento em Wuhu, a Lepas exibiu o trio L4, L6 e L8. Todos compartilham arquitetura compatível com propulsão elétrica pura (EV) e híbrida plug-in (PHEV), com comprimentos entre 4,40 e 4,69 metros. O posicionamento mira o público que busca “percepção de qualidade” acima da oferta atual da Caoa Chery.

A marca, criada em abril de 2025, nasceu para exportação. Sua sede em Wuhu não atende o mercado chinês, o que elimina conflitos de produção interna. O slogan “Drive Your Elegance” e o design inspirado em leopardos (Lepas = Leopardo) sinalizam apelo estético diferenciado.

Ficha técnica: potência e autonomia reveladas

Os dados globais servem de parâmetro para o que pode desembarcar nos showrooms brasileiros. A configuração híbrida plug-in é o destaque comercial imediato:

  • L4 (entrada): 4,40 m; motor EV de 160 kW (218 cv); entre-eixos de 2,70 m.
  • L6 (volume): Porte similar ao Tiggo 7. PHEV com 1.5 turbo + motor elétrico = 279 cv; bateria de 18,4 kWh. Versão EV com 65 kWh e 449 km (WLTP).
  • L8 (topo): 4,69 m; entre-eixos de 2,80 m. PHEV de 279 cv; 0 a 100 km/h em 7,9 s; 90 km de autonomia elétrica (WLTP).

A bateria de 18,4 kWh nos híbridos permite rodar o trajeto urbano médio sem queimar gasolina, diferencial tributário relevante nos estados com ICMS reduzido para PHEV.

O impacto na rede Caoa Chery

A convivência de marcas do mesmo grupo nas mesmas concessionárias exige gestão de canibalização. A Lepas não substitui a Caoa Chery; ela sobe a régua. O Tiggo 7 e o Tiggo 8 permanecem como volume, enquanto L6 e L8 disputam clientes de Jeep Compass 4xe, Corolla Cross Hybrid e Haval H6 GT.

Mas o efeito mais relevante aparece na estrutura de custos. A nacionalização de componentes — obrigatória para competitividade de preço — ainda não tem cronograma público. Sem motor flex ou produção local, a alíquota de importação (35%) e o IPI sobrevalorizam o ticket final.

O que observar até o lançamento

Dois marcos regulatórios mudam o jogo até 2027: a nova fase do Rota 2030, que premia eficiência energética e conteúdo local, e a reforma tributária, que altera a base de cálculo do IBS/CBS sobre veículos eletrificados.

Três variáveis definirão o sucesso comercial:

  • Qual modelo estreia primeiro (L6 é o candidato lógico por volume).
  • Se haverá motorização flex híbrida — exigência tácita para escala no Brasil.
  • Estratégia de rede: lojas dedicadas ou corners premium dentro da estrutura Caoa.

Enquanto a Chery não revela preços, o investidor deve monitorar a taxa de câmbio e a curva de adoção de PHEV no varejo. O cenário base projeta ticket entre R$ 220 mil e R$ 300 mil, mas a janela de dois anos permite surpresas — para cima ou para baixo.