Economia

Americanas dispara 22% com fim da recuperação judicial; veja o que muda agora

Gráfico de ações da Americanas (AMER3) mostrando alta de 22% após fim da recuperação judicial
Ações da Americanas disparam 22% na abertura após decreto judicial encerrar recuperação judicial iniciada em 2023.

As ações da Americanas (AMER3) saltaram 22% nos primeiros minutos de pregão desta terça-feira (20), reagindo ao decreto judicial que encerra oficialmente o processo de recuperação judicial da varejista. O papel fechou o dia com alta de 15,6%, cotado a R$ 6,90, após tocar R$ 7,50 na máxima intradiária.

A decisão marca o fim de um ciclo de turbulência iniciado em janeiro de 2023, quando a descoberta de uma fraude contábil bilionária derrubou a credibilidade da companhia. Mas o sinal verde da Justiça não significa que todas as pontas estão amarradas.

O que a sentença determina na prática

O juízo da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro atestou que o plano de recuperação, aprovado em fevereiro de 2024, foi integralmente cumprido. Pela legislação, o encerramento era possível após dois anos de vigência, desde que todas as obrigações fossem quitadas — independendo da concordância de 100% dos credores.

Em comunicado, a empresa classificou o momento como um “marco importante” e prometeu foco no crescimento operacional e na experiência do cliente. O CEO Fernando Soares já havia afirmado em maio que, no entendimento da gestão, o plano estava 100% executado.

Resistência dos bondholders e fornecedores

Apesar da validação judicial, o despacho revela que a unanimidade está longe de existir. Detentores de títulos emitidos no exterior (bondholders) e dez prestadoras de serviço ou fornecedoras apresentaram objeções formais contra o encerramento.

A Justiça, contudo, entendeu que nenhuma das contestações demonstra “risco de prejuízo irreparável” capaz de suspender a eficácia da sentença. O processo segue passível de recursos, o que mantém uma nuvem de incerteza jurídica no radar dos investidores.

  • Alta no fechamento de segunda (19): +7%, a R$ 5,97 (antes do anúncio oficial).
  • Abertura de terça (20): +22% no pico inicial.
  • Fechamento de terça (20): +15,6%, a R$ 6,90.
  • Máxima do dia: R$ 7,50.

Por que o mercado aplaudiu mesmo com ressalvas

A retirada do “selo” de recuperação judicial devolve à Americanas a elegibilidade para linhas de crédito mais baratas, facilita a negociação com fornecedores e remove um entrave regulatório para eventuais movimentos societários futuros — como fusões, aquisições ou reestruturação de capital.

Para o acionista, o sinal é de normalização gradual. O volume negociado disparou, indicando apetite tanto de quem apostava na reviravolta quanto de quem zerava posições de risco no pico dos R$ 7,50.

O que observar nas próximas semanas

Três frentes ditam o ritmo da ação daqui para frente: o julgamento de eventuais recursos apresentados pelos bondholders dissidentes, a capacidade da gestão de converter a “nova etapa” em geração de caixa operacional consistente e a evolução das margens no varejo físico e digital em um cenário de juros ainda elevados.

O fim do processo judicial é a porta de saída da UTI financeira. A recuperação do valor de mercado, porém, depende da prova de que o modelo de negócio sobrevive sem o amparo da proteção legal.