Economia

Economia refém da política: o alerta do UBS que todo investidor deve ler

Gráfico do Brasil com símbolos políticos e econômicos representando risco político para investimentos 2026
Ilustração mostra como disputas políticas dominam a agenda econômica brasileira e elevam risco para investidores.

A diretora do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, aponta um risco silencioso para 2026: a pauta econômica está perdendo espaço para disputas de poder. O diagnóstico muda a forma como o mercado deve precificar o risco Brasil nos próximos trimestres.

Em resumo, o ruído político não é apenas pano de fundo — ele dita o ritmo das reformas. Entender essa dinâmica separa quem protege o patrimônio de quem é surpreendido pela volatilidade.

O diagnóstico: quando a política engole a economia

Para Srour, a grande preocupação não é a ausência de plano fiscal, mas a incapacidade de executá-lo enquanto o Congresso e o Planalto travam outras batalhas. A economia virou “concorrente” de pautas identitárias, regulatórias e eleitorais.

Na prática, isso significa que cada voto no arcabouço fiscal ou na reforma tributária vira moeda de troca. O custo de oportunidade sobe: o tempo gasto em negociações laterais é tempo subtraído da agenda de produtividade.

O resultado imediato é a elevação do prêmio de risco. Investidores exigem juros mais altos para financiar a dívida pública quando a previsibilidade da regra do jogo cai.

Cenário Flávio Bolsonaro: alívio fiscal com efeito colateral

A economista projeta que um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL) tenderia a ser mais simpático ao avanço da agenda fiscal. A sinalização é de compromisso com metas de resultado primário e controle de despesas obrigatórias.

Porém, o mesmo cenário carrega um alerta vermelho: a persistência de uma crise institucional. Confrontos com o Supremo Tribunal Federal (STF) e tensões com o Congresso podem paralisar a tramitação das próprias medidas fiscais defendidas.

Ou seja, a intenção reformista esbarra na governabilidade. O mercado ganha um “plano no papel”, mas perde a certeza da execução.

O que isso muda na carteira do investidor hoje

A leitura do UBS GWM não é um palpite eleitoral, é uma ferramenta de alocação. Se o risco institucional permanece alto independentemente do vencedor, a estratégia de defesa ganha prioridade sobre a de aposta direcional.

Três movimentos práticos derivam desse cenário:

  • Duração encurtada: Prefira títulos prefixados ou IPCA+ de vencimento curto para reduzir exposição a surpresas de juros longos.
  • Dólar como hedge estrutural: A moeda americana deixa de ser “aposta” e vira seguro contra ruído político doméstico.
  • Setores resilientes a regulação: Utilities, saneamento e exportadoras de commodities tendem a sofrer menos com idas e vindas de Brasília.

Três variáveis para monitorar até a urna

Não basta torcer por um candidato. O profissional de negócios deve vigiar indicadores antecedentes que confirmam ou refutam a tese de “fiscal forte, instituições frágeis”:

  • Tramitação da LOA 2027: o orçamento revela a prioridade real do governo de plantão.
  • Indice de governabilidade no Congresso: taxa de sucesso de votações de interesse do Executivo.
  • Fluxo de investimento estrangeiro direto (IED): o “voto com os pés” das multinacionais antecipa a percepção de risco jurídico.

O que observar daqui para frente

A lição central de Srour é que a economia não flutua no vácuo. Em 2026, o ativo mais valioso não será a taxa Selic nem o câmbio, mas a previsibilidade institucional. Enquanto ela estiver em leilão, o prêmio de risco continuará caro — e quem ignorar esse custo oculto pagará a conta no balanço final.