Economia

Renda fixa em dólar paga até 6,7% ao ano: veja os 10 bonds que a XP indica para outubro

Gráfico de bonds em dólar com rendimentos até 6,7% ao ano recomendados pela XP para outubro
Carteira XP de renda fixa internacional: 10 bonds com retorno de 3,5% a 6,7% ao ano em dólar

A renda fixa internacional entrou no radar de quem busca proteção e retorno em moeda forte. A carteira recomendada pela XP para outubro reúne dez títulos com rentabilidade entre 3,5% e 6,7% ao ano em dólar, mais a variação cambial. O segredo está na combinação entre emissores brasileiros de alto rendimento e gigantes globais com nota de crédito impecável.

Os destaques que pagam acima de 6% ao ano

Três emissões brasileiras lideram a tabela de retornos. Todas carregam classificação de risco abaixo do grau de investimento (BB+ ou BB), o que explica o prêmio extra.

  • Prio (Óleo & Gás) – vencimento out/2030, cupom 6,75%, yield 6,7% a.a., rating BB+
  • Sabesp (Saneamento) – vencimento ago/2030, cupom 5,625%, yield 6,1% a.a., rating BB
  • BTG Pactual (Financeiro) – vencimento jan/2031, cupom 5,5%, yield 5,8% a.a., rating BB+

Para comparação, o título soberano brasileiro com vencimento em março de 2031 oferece 5,5% ao ano com o mesmo rating BB.

Qualidade de crédito: Meta e Nvidia na lista

Quem prefere dormir tranquilo tem opções com nota AA ou superior. A Meta paga 5,5% ao ano em papel com vencimento em maio de 2033 (rating AA-). A Nvidia, símbolo da revolução da inteligência artificial, entrega 4,5% até junho de 2031 com rating AA. O Tesouro americano de dez anos, referência global de segurança (AA+), rende 3,5% ao ano.

Como montar a alocação ideal

A recomendação da equipe de research — Lucas Genoso, Mayara Rodrigues e Rodrigo Cambricoli — é manter 15% do patrimônio total no exterior, independentemente do perfil de risco. Desse pedaço, 54% devem ir para renda fixa, distribuídos assim:

  • 17% em high grade (empresas com boa nota de crédito)
  • 13,5% em high yield (maior risco, maior retorno)
  • 12,5% em dívida de países emergentes
  • 8% em governos de países desenvolvidos

O restante da fatia internacional: 42% em ações e 4% em caixa.

Duas regras de ouro para não se queimar

Primeiro: mantenha a duration média da carteira próxima de dois anos. Títulos longos — como o da Meta, com 5,5 anos — oscilam muito mais quando os juros mudam. A solução é mesclar prazos curtos e longos.

Segundo: nunca concentre mais de 5% da alocação em um único emissor de crédito privado. Quanto maior o risco da empresa, menor deve ser esse limite.

Na prática: como funciona o fluxo de caixa

Os bonds pagam cupons semestrais. No caso da Prio, quem compra hoje por cerca de US$ 1.005 recebe US$ 34 a cada seis meses. No vencimento (outubro de 2030), recebe o principal de US$ 1.034. Somando tudo: US$ 1.304 brutos em dólar, se levar até o fim.

Atenção: a Prio pode recomprar o título a partir de outubro de 2027. Empresas costumam fazer isso quando os juros caem, forçando o investidor a reaplicar em condições piores.

Riscos que não existem no Brasil

Nem o Tesouro americano nem bonds de empresas brasileiras no exterior têm cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Há três riscos principais:

  • Crédito: o emissor pode dar calote
  • Mercado: vender antes do vencimento expõe ao preço do dia, que pode ser menor que o pago
  • Cambial: o dólar caiu 0,1% em setembro, fechando a R$ 5,17. A XP projeta R$ 5,00 no fim de 2026 e R$ 5,30 em 2027 — o que comprimiria o ganho em reais no curto prazo

Por que os juros globais dispararam

A economia americana segue resiliente e o petróleo pressiona a inflação. Em setembro, o Fed elevou a taxa para 3,75%–4% ao ano. A chance de nova alta em outubro chegou a 70% e encerrou o mês perto de 50%.

O título de 10 anos dos EUA bateu 5,22% e o de 30 anos superou 5,5% — máximas desde o início dos anos 2000. O barril de Brent tocou US$ 108 nas tensões do Oriente Médio e fechou setembro perto de US$ 103.

O contágio foi global: Banco do Japão subiu juros para 1,25% (maior nível em 31 anos), e yields do Reino Unido e Alemanha renovaram máximas de décadas. No crédito corporativo, high yield americano saltou de 6,83% para 7,72% desde março; high grade foi de 3,66% para 4,42%. Parte da emissão vem de empresas de IA, captando para financiar investimentos pesados.

O que observar daqui para frente

O cenário segue fluido. Se o Fed pausar o aperto, yields longos podem recuar e valorizar os títulos já comprados — especialmente os de duration maior. Se a inflação surpreender para cima, o contrário ocorre. O câmbio será o termômetro do retorno em reais: a projeção de dólar a R$ 5,00 em 2026 sugere pressão de baixa no curto prazo, mas a volatilidade geopolítica pode inverter a rota a qualquer momento. Mantenha a disciplina de duration curta e diversificação por emissor; o prêmio de risco está posto, mas a estrada tem curvas.