O banco digital britânico Monzo acionou fundos de private equity para vender uma fatia relevante do negócio depois que o Nubank abandonou a mesa de negociações. A fintech brasileira recusou pagar até 10 bilhões de libras (cerca de R$ 65,7 bilhões) pela rival do Reino Unido, forçando os britânicos a buscar capital alternativo para sustentar o plano de expansão europeia.
Conversas iniciais já aconteceram com a CVC Capital Partners e a Advent International. A ideia é ceder até 15% da empresa. Mas a mudança de estratégia expõe um dilema: fundos financeiros costumam ser mais duros na precificação do que compradores estratégicos.
Por que o Nubank disse não
O Nubank, avaliado em US$ 65 bilhões na Bolsa de Nova York, viu a conta não fechar. A Autonomous Research classificou a operação como “financeiramente questionável”: o preço pedido equivalia a sete vezes o valor contábil tangível do Monzo, bem acima dos pares de mercado.
Além do múltiplo elevado, a receita por cliente pesou. O Monzo fatura cerca de US$ 9 por usuário ao mês no Reino Unido — metade do que o Nubank extrai no Brasil. Pagar prêmio por ativo de menor rentabilidade assustou o conselho da fintech brasileira.
O que mudou no comando do Monzo
A turbulência interna também ajuda a explicar o momento. No início do ano, o conselho destituiu o CEO TS Anil alegando ritmo de expansão insatisfatório. Diana Layfield, ex-Google, assumiu o posto em fevereiro e redesenhou a rota: fechou escritórios nos EUA, abriu operação na Espanha e garantiu licença bancária na Irlanda.
O foco agora é crescer na Europa continental, não mais atravessar o Atlântico. Tom Oldham, CFO vindo do Nubank, e o próprio Anil — mantido como assessor — lideraram as tratativas com os brasileiros. Oldham, aliás, evitou confirmar consolidação no setor semanas antes do anúncio.
Private equity: caminho mais caro?
Se o Nubank — que ganhava licença europeia e 15 milhões de clientes de uma vez — achou caro, fundos sem sinergia operacional tendem a exigir desconto ainda maior. CVC e Advent não comentam. O Monzo também silencia.
Cenário provável: investidores atuais (venture capital) terão de aportar mais dinheiro para evitar down round. A alternativa de nova rodada de VC segue na mesa, mas o board prefere o cheque grande do private equity.
- Clientes: Monzo 15 milhões | Nubank 140 milhões | Revolut 80 milhões
- Valuation Nubank: US$ 65 bi (NYSE)
- Valuation Revolut: US$ 115 bi
- Receita mensal/cliente (Monzo): US$ 9
O que observar daqui para frente
A disputa por Europa esquenta. Revolut avança na América Latina; Nubank e Monzo buscam escala no Velho Continente. Se o private equity não fechar nos termos desejados, o IPO — antigo sonho do board — volta ao radar como única saída de liquidez realista. Para o mercado, o termômetro será a próxima rodada de captação: se vier com valuation inferior a 8 bilhões de libras, o sinal de alerta acende para todo o ecossistema fintech.
