O segundo dia da Abav Expo 2026 confirmou: o epicentro dos negócios do turismo nacional pulsa forte em São Paulo. Corredores lotados e estandes disputados a cada metro quadrado mostraram que a cadeia produtiva voltou a investir pesado em relacionamento presencial.
Mais do que volume, a qualidade dos encontros chamou a atenção. Presidentes de órgãos oficiais, CEOs das maiores operadoras e líderes de tecnologia circularam lado a lado, fechando acordos que devem ditar o ritmo do segundo semestre.
O “QG” não oficial do trade
Se havia um termômetro do mercado, era o estande da PANROTAS. Transformado em ponto de encontro obrigatório, o espaço recebeu uma sucessão ininterrupta de lideranças. Por lá passaram Marcelo Rolim (Ancoradouro), Sylvio Ferraz (BeFly), Emerson Belan (CVC Corp), Marcio Nogueira (HotelDO) e Daniel Aragon (Iberia/British Airways), apenas para citar alguns.
A densidade de tomadores de decisão por metro quadrado superou a de muitas salas de reunião formais. Executivos de Sabre, Amadeus, Omint, MSC e Localiza usaram o local como base para rodadas rápidas de alinhamento comercial.
Poder público e privado na mesma mesa
O Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur) realizou sua reunião oficial no evento. A presença simultânea de Bruno Reis (Embratur), Simone Warmbrand (IATA Brasil), Ana Biselli (Setur-SP) e Bruno Wendling (Fundtur-MS) sinaliza alinhamento raro entre esferas federais, estaduais e entidades globais.
Temas como conectividade aérea, promoção internacional e infraestrutura de destinos emergentes dominaram a pauta. A articulação direta com a iniciativa privada — representada por Jeanine Pires e Ítalo Mendes (Anseditur) — sugere que projetos estruturantes podem sair do papel mais rápido que em ciclos anteriores.
Reconhecimento que move a ponta da venda
A cerimônia “100+ Poderosos do Turismo” e o prêmio “DNA de Agente” (parceria com a Sakura) colocaram holofotes sobre quem efetivamente vende. Foram homenageados desde grandes estrategistas — como Eduardo Camargo (Valepay) e Rafael Cohen (Blis.AI) — até agentes de viagens de todo o Brasil, como Philipi Trindade (Viagens PH) e Simone Boni (Ano3 Viagens).
O gesto tem peso estratégico: em um mercado que discute automação e IA, valorizar o consultor humano reforça o modelo híbrido que as grandes operadoras (CVC, BeFly, HotelDO, Decolar) vêm defendendo.
Pequenos negócios ganham palco e capacitação
Longe dos grandes estandes, a parceria entre Visual Turismo e Sebrae Bahia lotou uma arena dedicada a micro e pequenas agências. Secretários municipais de Porto Seguro, Itacaré e Marau dividiram espaço com donos de pousadas e receptivos locais.
Workshops sobre precificação, marketing digital e acesso a linhas de crédito do Sebrae atraíram filas. O recado é claro: a capilaridade do turismo depende de qualificar a base da pirâmide, não só o topo.
Tecnologia e financeiro: os novos “must have”
Stands de empresas como Furk.Tech, Blis.AI, Wooba, ClickBus, Mastercard, Cielo e Assist Card estiveram entre os mais movimentados. A busca não é mais por “sistema de reserva”, mas por integração de pagamentos, automação de atendimento e dados para precificação dinâmica.
- Furk.Tech demonstrou sua plataforma de gestão unificada para agências.
- Blis.AI apresentou soluções de IA aplicada a roteiros personalizados.
- Instituições financeiras fecharam parcerias de financiamento de viagens no próprio estande.
Eventos paralelos selam alianças estratégicas
A tradicional Feijoada da Trend (com apoio da Gol e Meliá) reuniu a diretoria da Rextur Advance e centenas de agentes. Noah Britto (Trend) e Marvio Mansur (Rextur) aproveitaram para alinhar a malha de produtos para o fim de ano.
No mesmo horário, a Disney Destinations capacitava agentes brasileiros no estande vizinho, enquanto a Embratur recebia operadores internacionais em seu espaço. A sobreposição de agendas mostra a densidade de oportunidades — e a necessidade de foco.
O que observar nas próximas semanas
O movimento visto nos corredores do Expo Center Norte antecipa três vetores para o segundo semestre: reestruturação de malha aérea doméstica (pressão de operadoras por mais assentos), aceleração de contratos de tecnologia (orçamentos aprovados na feira viram pedidos em julho) e novas campanhas conjuntas estados-operadoras (articuladas no Fornatur).
Quem esteve lá saiu com a agenda cheia. Quem não foi, terá que correr para recuperar o tempo perdido — porque as decisões tomadas em uma quinta-feira de feira costumam ditar o Natal e o Réveillon de todo o trade.
