A União Europeia abriu caminho para retomar as compras de frango e mel brasileiros, suspensas desde 3 de setembro. A decisão final, porém, depende de um comitê técnico que se reúne em outubro — e a carne bovina segue fora do radar imediato.
O sinal verde veio do comissário europeu Maroš Šefčovič, em encontro com ministros brasileiros à margem do G20 em Milwaukee. Mas há etapas burocráticas e uma diferença crucial entre as cadeias produtivas.
O que a auditoria europeia atestou
Auditores da Comissão Europeia visitaram o Brasil neste mês e avaliaram os sistemas de controle nas cadeias de aves e mel. O veredito: o país cumpre as exigências do bloco sobre uso de antimicrobianos.
O foco da fiscalização foi garantir que substâncias antimicrobianas não sejam usadas para estimular crescimento animal ou aumentar rendimento — prática proibida na UE, mas permitida para tratamento de infecções.
- Produtos liberados na auditoria: carne de frango e mel
- Próxima etapa: reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações, dias 20 e 21 de outubro
- Suspensão vigente desde: 3 de setembro de 2026
Por que a carne bovina fica para depois
O governo brasileiro pediu tratamento igual para a proteína bovina, mas a rastreabilidade exigida pela UE é mais complexa. O bloco requer acompanhamento do ciclo de vida completo do animal — do nascimento ao abate —, processo que pode levar até dois anos para ser comprovado.
Enquanto frango e mel têm ciclos curtos e controles centralizados, a cadeia bovina envolve milhões de propriedades dispersas. Isso torna a reversão da restrição tecnicamente mais lenta, mesmo com vontade política dos dois lados.
O impacto nos números do agronegócio
A suspensão de setembro atingiu carne bovina, suína, frango, mel, pescados, ovos e outros itens de origem animal. O mercado europeu é destino relevante para proteínas brasileiras, e a reabertura parcial alivia a pressão sobre exportadores de aves e apicultores.
Mas a incerteza sobre prazos mantém o setor em alerta. A reunião de outubro é decisiva: se o comitê técnico aprovar o relatório, os embarques podem ser retomados ainda no quarto trimestre.
Outra frente: cotas de aço em discussão
Na mesma reunião em Milwaukee, ministros brasileiros e o comissário europeu trataram das restrições a importações de aço. A UE está revisando a distribuição de cotas para produtos siderúrgicos, o que pode abrir espaço para o Brasil — embora o processo tenha etapas previstas apenas para 2027.
O que observar daqui para frente
A decisão do comitê técnico em 20 e 21 de outubro é o gatilho imediato. Acompanhe também a tramitação burocrática na Comissão Europeia após esse aval — é ela que define a data efetiva de retomada dos embarques. Para a carne bovina, o cronograma realista aponta para 2025 ou além, condicionado à implementação plena da rastreabilidade individual.
