Minas Gerais terá 965 candidatos disputando apenas 77 vagas na Assembleia Legislativa em outubro de 2026. O Partido Novo registrou cerca de 80 nomes, quase um por cadeira, revelando uma estratégia de ocupação total do espaço eleitoral. A pergunta que fica: volume garante bancada?
A disputa promete ser uma das mais fragmentadas da história recente. Com uma média de 12,5 concorrentes por vaga, a barreira para eleger um deputado estadual sobe a cada ciclo. O Novo aposta na pulverização de votos entre perfis variados para furar o teto da cláusula de barreira.
O perfil da chapa: diversidade calculada
A lista não segue o padrão tradicional de “puxadores de voto” únicos. Há médicos, professores, policiais, comunicadores e lideranças de nicho. Nomes como Professor Alípio Policarpo (30001), Dra. Carla Felipe (30444) e Pastor Rosivaldo (30019) sinalizam apelo a bases específicas — educação, saúde e segmento evangélico.
Outro grupo chama a atenção pela identificação profissional imediata na urna: Alex da Farmácia (30033), Carlão da Rádio (30044), Joãozinho da Ambulância (30084) e Timbuca da Tourada (30002). A estratégia parece clara: facilitar a memorização do número pelo eleitorado de baixa informação política.
O peso dos números na urna eletrônica
Em eleição proporcional, o dígito final do número muitas vezes decide o voto de última hora. O partido distribuiu terminados variados — 000 (Rian Pereira), 111 (Lúcio Souza), 222 (Douglas Campos), 333 (Dr. Claudio Lopes), 444 (Dra. Carla Felipe), 555 (Carol Fabbri) — cobrindo sequências fáceis de digitar. É microgestão de campanha em escala industrial.
- Médicos e área da saúde: 6 candidatos (incluindo Dr. Guilherme Viktor Paolucci e Dr. Maurício)
- Educação: 4 professores com título na urna
- Segurança/Forças de ordem: Pelo menos 3 nomes com perfil policial ou militar
- Comunicação: Radialistas e influenciadores locais
Essa fragmentação tem custo. Sem um “voto de legenda” forte concentrado em poucos líderes, a soma total da chapa precisa ser expressiva para converter em cadeiras. Em 2022, o Novo elegeu 3 deputados estaduais em MG com votação concentrada. O modelo 2026 é outro.
Cláusula de barreira e o cálculo de sobrevivência
Além das cadeiras, a votação total da chapa define o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV nos próximos quatro anos. Cada voto em Marcela Trópia (30400), Bruno Castro (30747) ou Professor Lacombe (30800) conta para o coeficiente partidário. A legenda não pode se dar ao luxo de “votos perdidos” em candidatos sem estrutura mínima.
O risco real é a pulverização excessiva. Se a maioria dos 80 nomes ficar abaixo de 5.000 votos, a soma pode não atingir o quociente eleitoral necessário para a segunda ou terceira vaga. O partido aposta que a capilaridade compense a falta de “estrelas”.
O que observar até 4 de outubro
A campanha oficial começa em 16 de agosto. O termômetro real será a capacidade de cada nome converter base própria — sindicatos, igrejas, associações de bairro, categorias profissionais — em votos nominais. Candidatos como Saori Volkov (30004), Zé Laviola (30011) e Wagner Suhadolnik (30099) testarão se a capilaridade microterritorial supera a máquina dos partidos tradicionais.
Para o eleitor mineiro, a leitura prática é simples: a urna terá 965 opções. Saber o número exato do candidato escolhido antes de entrar na cabine deixa de ser detalhe — vira condição de eficiência. O TSE disponibiliza a consulta completa por nome, número e ocupação no portal DivulgaCandContas. Anotar o código de cinco dígitos evita voto nulo por erro de digitação.
No dia 4 de outubro, a contagem dirá se a aposta na quantidade e na diversidade de perfis do Novo construiu uma bancada ou apenas inflou a estatística de candidatos. O tamanho da bancada define a força do partido no jogo de comissões, relatorias e votações estratégicas na ALMG nos próximos quatro anos.
