Ferramentas de inteligência artificial que traduzem textos e conversas em tempo real não tornaram o inglês dispensável, afirma André Belz, sócio-fundador da Rockfeller Franchising. A tecnologia resolve tarefas pontuais, mas a fluência segue como diferencial decisivo para vagas, promoções e experiências internacionais. Por que as empresas continuam exigindo o idioma?
O limite da tradução automática
Belz explica que a IA funciona bem na via de mão única: ler e-mails, consumir conteúdos ou responder mensagens rápidas. Nesse cenário, o profissional joga o texto na ferramenta e obtém o resultado esperado. O problema surge quando a interação exige diálogo real.
Em uma reunião de negócios, a latência, o sotaque e as nuances culturais escapam dos algoritmos atuais. O executivo alerta que óculos e fones tradutores existem há uma década, mas sua acessibilidade e confiabilidade no dia a dia corporativo ainda são incertas.
O que o mercado realmente cobra
Mesmo com a popularização de legendas automáticas e tradutores em redes sociais, o inglês aparece como pré-requisito na maior parte das oportunidades de alto nível. Belz resume: “As empresas continuam almejando profissionais que falem inglês. Isso tá lá, pré-requisito, em grande parte das empresas hoje em dia.”
- Vagas de liderança e áreas técnicas costumam listar fluência como item eliminatório.
- Processos seletivos internacionais exigem entrevista oral sem auxílio de tecnologia.
- Networking em eventos globais depende de conversa espontânea, não de leitura de tela.
O custo de esperar a tecnologia amadurecer
Adiar o estudo apostando na evolução dos dispositivos pode sair caro. Enquanto os equipamentos não se tornam ubíquos e precisos, quem domina o idioma sai na frente em negociações, expansão de carreira e mobilidade geográfica. Belz classifica a postura de “vou esperar porque não vou precisar mais” como um risco excessivo.
Cenários para os próximos meses
A tendência é que a IA continue aprimorando a compreensão passiva — leitura e audição —, mas a produção ativa e a sensibilidade cultural permanecerão humanas por um bom tempo. Profissionais que combinarem ferramentas de tradução com domínio real do inglês terão vantagem competitiva clara.
O que observar daqui para frente: acompanhe o lançamento de wearables de tradução de baixo custo, monitore se grandes corporações começam a flexibilizar o requisito de inglês em editais de contratação e, principalmente, invista em prática oral constante. A tecnologia complementa, não substitui, a competência linguística que o mercado ainda valoriza.
