Economia

Veto às bets: clubes correm contra o relógio e perdem R$ 1,1 bi…

Dirigentes de clubes paulistas em reunião emergencial na sede da FPF sobre veto a patrocínios de bets
Clubes correm contra o prazo de 5 de outubro para remover logos de apostas das camisas e estádios

Dez clubes paulistas se reuniram às pressas na sede da FPF nesta segunda-feira (28) para definir uma estratégia comum após a Medida Provisória que proíbe patrocínios de casas de aposta. O prazo para retirar logos das camisas e placas de estádio expira em 5 de outubro — uma semana.

O impacto direto atinge o bolso: apenas em 2025, as bets injetaram R$ 1,14 bilhão nos cofres das 20 equipes da Série A. Isso equivale a 7,9% do faturamento total da elite, que fechou o ano em R$ 14,9 bilhões.

Quem está na mesa e o que cada um perde

Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Red Bull Bragantino, Mirassol, Novorizontino, São Bernardo, Botafogo de Ribeirão Preto e Ponte Preta enviaram representantes. Juntos, eles representam metade da Série A e times relevantes da Série B.

Catorze dos vinte times da primeira divisão têm uma bet como patrocinador master. As exceções — Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e Red Bull Bragantino — já operam sem essa dependência.

  • Prazo final: 5 de outubro, 23h59 — fim da publicidade e patrocínios
  • Resgate de saldos: mesma data e horário para apostadores
  • Janela legislativa: 120 dias para o Congresso converter ou derrubar a MP

O movimento em Brasília já começou

Os clubes articulam um canal direto com o governo federal. O Ministério do Esporte deve receber dirigentes e a CBF já nesta terça-feira (29), embora a pasta ainda não confirme horário nem pauta oficial.

A FPF, que já havia assinado manifesto contra a proibição na quinta-feira passada, conduz as conversas. A federação argumenta que a medida seca uma fonte de receita sem apresentar alternativa viável no curto prazo.

Dívida recorde torna o cenário mais frágil

O endividamento somado dos 20 clubes da Série A atingiu R$ 14,3 bilhões em 2025 — praticamente o mesmo valor do faturamento bruto. A retirada abrupta dos contratos de patrocínio master pode empurrar folhas salariais e compromissos de curto prazo para o vermelho.

Além dos aportes diretos, as bets financiam naming rights do Brasileirão e da Copa do Brasil (Betano), placas de campo, inserções em transmissão e ativações digitais. A conta total da publicidade no entorno do futebol supera os valores de patrocínio de camisa.

O que observar nas próximas semanas

A reunião desta terça em Brasília definirá se haverá negociação de transição ou se o corte será imediato e total. Clubes menores, sem estrutura comercial para substituir o patrocinador master em dias, são os mais expostos. Enquanto isso, departamentos de marketing correm para ativar cláusulas de rescisão e buscar alternativas — muitas delas ainda inexistentes no mercado.

O Congresso tem até 120 dias para decidir. Até lá, cada dia sem patrocínio master é prejuíço direto no fluxo de caixa.