O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais contabilizou 3.737 denúncias de propaganda irregular em 332 municípios a menos de duas semanas do pleito de 2026. O volume de material nas ruas já virou caso de segurança pública: uma eleitora foi atingida no rosto por uma bandeira em Belo Horizonte. O que muda quando a fiscalização aperta e o aplicativo Pardal ganha novo poder?
Belo Horizonte dispara no ranking: 664 queixas sozinha
A capital mineira concentra quase 18% de todas as ocorrências do estado. Uberlândia aparece em segundo com 197 registros, seguida por Governador Valadares com 190. Juntas, as três cidades somam mais de 1.000 denúncias — um terço do total estadual.
Candidatos a deputado estadual são os principais alvos. O excesso de bandeiras, cartazes e adesivos em espaços públicos lidera as reclamações, transformando calçadas e canteiros centrais em depósitos de material de campanha.
O impacto direto no dia a dia do eleitor
Não é só estética. Relatos de pedestres atingidos por estruturas móveis com o vento mostram risco físico. Comerciantes reclamam de visibilidade bloqueada em vitrines. Moradores denunciam acúmulo de lixo eleitoral em bairros residenciais dias após a colagem.
Para o videomaker Rubens Lima, a exposição excessiva degrada o espaço urbano compartilhado. A sensação é de que a disputa pelo voto passou a valer mais do que o direito de circular livremente.
Como funciona a denúncia na prática
O aplicativo Pardal, gratuito e oficial da Justiça Eleitoral, é o canal direto. O fluxo é simples:
- Baixe o app (Android ou iOS)
- Fotografe ou grave a irregularidade
- Informe local, data e tipo de infração
- Envie — a denúncia cai direto no cartório eleitoral competente
Novidade para 2026: agora também vale para propaganda irregular na internet. Perfis falsos, disparos em massa e impulsionamento não declarado entram no radar.
Multa, cassação e o critério “a olho nu”
O presidente do TRE-MG, desembargador Carlos Henrique Perpétuo, define a regra: se a irregularidade é perceptível “a olho nu”, a remoção é imediata — ruas ou rede. Depois, garante-se defesa e produção de provas ao acusado.
Comprovado o crime, as sanções escalam:
- Multa pecuniária (valores variam conforme a gravidade)
- Caracterização de abuso de poder político
- Cassação do registro ou do mandato — a punição máxima
O que observar daqui para frente
Com a reta final da campanha, a tendência é de alta nas denúncias — e na velocidade de resposta. O eleitor que documentar bem (foto com geolocalização, print de tela com horário) acelera a triagem. Candidatos que dependem de volume visual nas ruas terão de recalcular a estratégia: o custo de cada infração pode subir de multa para inelegibilidade. Fique atento ao noticiário do seu cartório eleitoral; listas de notificados costumam ser públicas e revelam quem está no limite.
