Gabriel Azevedo (MDB) apresentou à construção civil uma carta com 15 compromissos e defendeu usar o Plano Estadual de Logística e Transportes como base para as obras dos próximos dois décadas. A proposta evita recomeçar do zero e promete previsibilidade para quem investe.
O encontro ocorreu na segunda-feira (28) com representantes do Sicepot-MG e do Sinduscon-MG. O candidato detalhou como pretende transformar o documento técnico em roteiro de execução.
O que está na carta de 15 pontos
O documento entregue aos sindicatos cobre ferrovias, habitação, ocupação urbana e gestão de contratos. Não há promessas genéricas: cada item aponta para uma ação concreta de governo.
- Ferrovias: priorizar integração com portos e malha nacional
- Habitação: alinhar programas estaduais a vazios urbanos já mapeados
- Licenciamento: reduzir prazos sem abrir mão da segurança jurídica
- Contratos: revisar modelo de remuneração para evitar aditivos sucessivos
O foco recorrente é planejamento de longo prazo. “Minas Gerais não precisa começar outro plano de infraestrutura do zero”, afirmou o candidato. A ideia é iniciar o primeiro ciclo de um planejamento de 20 anos.
Por que o PELT muda o jogo
O Plano Estadual de Logística e Transportes já existe. Foi construído com dados técnicos, estudos de demanda e visão multimodal. O problema, segundo o setor, é que governos anteriores o trataram como peça de gaveta.
Ao adotá-lo como norte, Azevedo sinaliza três coisas ao mercado:
- Continuidade: obras não param a cada troca de gestão
- Transparência: critérios de priorização ficam públicos
- Eficiência: recursos vão para onde o retorno logístico é maior
Para construtoras, isso significa pipeline visível. Para investidores, risco regulatório menor.
O efeito nos pequenos e médios empreiteiros
Grandes grupos conseguem absorver incertezas. Quem sofre com paralisações e aditivos intermináveis são as empresas regionais, que dependem de fluxo de caixa previsível.
A proposta de revisar o modelo de remuneração ataca diretamente esse ponto. Hoje, contratos de preço fixo com reajustes anuais acabam gerando judicialização quando a inflação de insumos foge do índice oficial.
Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.
Habitação e vazios urbanos: a conta que fecha
Minas tem déficit habitacional estimado em centenas de milhares de unidades. Ao mesmo tempo, centros urbanos concentram imóveis ociosos e áreas subutilizadas com infraestrutura instalada.
A carta prevê mapear esses vazios e direcionar programas de habitação para lá. Menos custo de urbanização, mais adensamento onde já há rede de água, esgoto e transporte.
É urbanística aplicada a orçamento público.
O que observar daqui pra frente
O debate na TV Globo na terça (29) será o primeiro teste de como a proposta resiste ao confronto direto. Adversários devem questionar viabilidade fiscal e prazos.
Do lado da construção civil, a expectativa é que o próximo governo — seja qual for — transforme o PELT em lei de diretrizes orçamentárias. Se isso acontecer, Minas ganha algo raro: um roteiro de infraestrutura que sobrevive a mandatos.
Para quem decide onde alocar capital no estado, o sinal está dado. Resta saber se vira política de Estado.
