Meio Ambiente

O plano que promete tirar milhares de gaúchos da rota das enchentes

Gabriel Souza visita área alagada no Vale do Taquari com moradores afetados por enchentes
Vice-governador promete acelerar reassentamento de famílias em áreas de risco no RS

O vice-governador e candidato ao Palácio Piratini, Gabriel Souza (MDB), afirmou que vai acelerar a execução do Plano Rio Grande para retirar famílias de áreas de risco ainda neste mandato. A declaração veio em resposta a uma eleitora do Vale do Taquari que viu a casa dos pais alagar três vezes em menos de três anos.

A promessa coloca o reassentamento climático no centro do debate eleitoral a seis dias do primeiro turno. Mas o cronograma realista para tirar milhares de pessoas da rota das águas ainda esbarra em gargalos fundiários, burocráticos e orçamentários que nenhum discurso de campanha resolve sozinho.

O que a eleitora perguntou e o que o candidato respondeu

Tainá, moradora de Lajeado, foi a porta-voz de uma angústia coletiva no Vale do Taquari. Sua família em Estrela nunca tinha sido atingida até 2023; desde então, três enchentes sucessivas.

Souza citou nominalmente o Plano Rio Grande: 240 ações em andamento ou concluídas, com foco em resiliência climática. Disse conhecer “cada um dos projetos” e prometeu “celeridade, não atraso no cronograma”. Não detalhou, porém, quantas famílias já saíram nem qual a meta de reassentados para 2025.

Números do plano estadual até aqui

  • 240 ações mapeadas no Plano Rio Grande
  • Milhares de gaúchos já em processo de retirada de zonas de risco (dado do governo)
  • Vale do Taquari como região prioritária com “vários projetos” em curso
  • 6 temas na sabatina da RBS TV: segurança, saúde, educação, infraestrutura, economia e prevenção a desastres

O governo estadual não divulga, de forma consolidada, o total de famílias já reassentadas versus a meta total. Essa lacuna de transparência dificulta ao eleitor cobrar prazos concretos.

Como funciona a sabatina que definiu o tema

A RBS TV selecionou 86 eleitores de todo o estado. Cada candidato tem 30 segundos para responder. A ordem de fala segue a última pesquisa contratada pelo Grupo RBS, divulgada em 24 de setembro. Três candidatos aparecem por dia; o tema “prevenção a desastres climáticos” coube a Souza nesta rodada.

O formato curto privilegia soundbites em vez de explicações técnicas. Para o eleitor que quer comparar propostas com profundidade, resta buscar os planos de governo completos nos sites do TRE-RS.

Os entraves que o discurso não menciona

Retirar pessoas de áreas de risco envolve três frentes simultâneas: identificação de terrenos seguros, negociação fundiária (muitas áreas são particulares) e construção de moradias definitivas com infraestrutura. No Vale do Taquari, a topografia estreita entre morros e rios reduz as opções de realocação próxima aos locais de origem.

Há também o fator tempo: licenciamento ambiental, desapropriações e obras de urbanização costumam levar anos. Prometer “acelerar” sem detalhar como superar essas etapas técnicas soa como compromisso de palanque, não como plano de gestão.

O que observar daqui para a frente

Até 2 de outubro, os outros seis candidatos responderão à mesma pergunta climática. Compare as respostas: quem apresenta metas quantificadas, fontes de financiamento e cronograma por município sai na frente. Após a eleição, cobre do eleito a publicação trimestral de um painel aberto com número de famílias reassentadas, recursos empenhados e etapas vencidas. Só a transparência contínua transforma promessa de campanha em política de Estado.