Economia

Lula admite: Congresso foi a peça que faltava para a virada tributária…

Presidente Lula em entrevista à Band gesticula ao falar sobre Reforma Tributária e papel do Congresso
Lula reconhece Congresso como peça-chave para aprovação da Reforma Tributária em entrevista à Band.

Em entrevista à Band neste domingo (27), o presidente Lula reconheceu publicamente que o Congresso Nacional foi o motor da governabilidade nos últimos quatro anos. A declaração coloca o Parlamento no centro das aprovações que o Planalto considerava essenciais, com a Reforma Tributária no topo da lista.

Para o mercado, o recado vai além da cortesia política: sinaliza previsibilidade na relação entre os Poderes. Mas até onde essa sintonia garante a implementação do que foi aprovado?

O xadrez da aprovação: muito além do plenário

Quando o presidente cita a Reforma Tributária como “mudança que a gente queria fazer”, ele resume dois anos de negociação intensa. O texto final não nasceu no Executivo; foi costurado voto a voto entre líderes partidários, governadores e setores produtivos.

Essa dinâmica revela um padrão: o governo propõe, mas o Congresso dita o ritmo e o conteúdo final. Para o investidor, isso significa que a caneta do Planalto não é a única variável na equação de risco Brasil.

Por que a Reforma Tributária é o termômetro do momento

O exemplo escolhido por Lula não foi aleatório. A Reforma Tributária é a maior alteração na estrutura de impostos sobre consumo em décadas. Seu impacto direto no caixa das empresas justifica a menção presidencial.

  • Simplificação real: Fim da “guerra fiscal” entre estados via ICMS.
  • Transição longa: Período de testes de 2026 a 2032 exige planejamento de caixa agora.
  • Alíquota de referência: Estimativa inicial gira em torno de 26,5%, a mais alta do mundo para IVA dual.

A aprovação da emenda constitucional foi apenas a largada. A regulamentação (leis complementares) é onde o jogo vira técnico — e onde o Congresso volta a ter o protagonismo que Lula destacou.

A governabilidade na prática: o que o empresário deve monitorar

A fala do presidente funciona como um termômetro da relação institucional. Quando o Executivo valida o Legislativo como parceiro, a tendência é de fluxo legislativo mais fluido para pautas econômicas.

Porém, “contribuiu muito” não significa alinhamento automático. Pautas sensíveis — como a taxação de fundos exclusivos, a desoneração da folha ou o arcabouço fiscal — mostraram que a negociação é case a case.

O segredo que ninguém conta: a governabilidade não é um cheque em branco. Ela é moeda de troca constante em comissões especiais e relatorias.

Cenários para os próximos trimestres

Com a estrutura tributária definida na Constituição, o foco migra para a regulamentação do Comitê Gestor do IBS e do CBS. A capacidade do Congresso de entregar leis complementares técnicas, sem “jabutis” que travem a simplificação prometida, será o verdadeiro teste da parceria elogiada por Lula.

Outro ponto de atenção: a Reforma da Renda. Ainda no papel, ela depende da mesma “contribuição” parlamentar para sair do lugar. O sinal verde do presidente para a atuação do Congresso abre a porta, mas não garante a travessia.

O que observar daqui para frente

Mantenha o radar ligado em três frentes concretas:

  1. Calendário das Leis Complementares: Atrasos na regulamentação do IVA geram insegurança jurídica imediata.
  2. Composição das relatorias técnicas: Nomes indicados para relatar a regulamentação ditam o viés setorial do texto final.
  3. Reação dos estados ao Comitê Gestor: A disputa pela gestão do IBS pode travar a operacionalização do tributo.

A declaração de domingo não muda a lei, mas muda a leitura de risco. Quem entende que a governabilidade é um processo — e não uma foto — sai na frente na alocação de capital para o ciclo 2025-2026.