Tecnologia

Como a Dock cortou 96% do tempo para reportar lavagem de dinheiro ao Coaf

Dashboard da Dock mostrando redução de 96% no tempo de reporte ao Coaf com IA da Vaas
Parceria Dock e Vaas usa IA para cortar tempo de análise de lavagem de dinheiro de horas para minutos.

A Dock reduziu de 3 a 4 horas para apenas 10 minutos o tempo necessário para analisar alertas de movimentações suspeitas e, quando cabível, comunicá-las ao Coaf e ao Banco Central. A queda de 96% no prazo veio depois de uma parceria com a Vaas, plataforma de gestão de riscos que aplica inteligência artificial na etapa de triagem. O ganho de escala é imediato: a fintech processa entre 3 mil e 4 mil alertas por mês.

O que muda na prática para a operação de compliance

Antes da automação, analistas gastavam a maior parte do dia coletando, baixando, extraindo e organizando dados cadastrais, comportamentais e transacionais — inclusive informações de contrapartes — para montar o dossiê que embasa a comunicação às autoridades. Com a nova arquitetura, essa etapa burocrática passa a ser executada pela tecnologia, liberando o time para focar exclusivamente na avaliação dos indícios e no contexto de cada caso.

A Vaas atua como uma camada de triagem prévia. Sua matriz de risco cruza dados das contas, perfil dos clientes e comportamento transacional para priorizar alertas com sinais de atipicidade. A decisão final sobre comunicar ou não o Coaf continua nas mãos dos analistas da Dock; a ferramenta apenas estrutura e hierarquiza a informação.

Por que a velocidade importa no modelo Msac do Banco Central

O processo segue o fluxo de Msac — Monitoramento, Seleção, Análise e Comunicação — exigido pelo BC para instituições reguladas. Quanto menor o intervalo entre a detecção e a comunicação, maior a chance de as autoridades agirem enquanto o rastro financeiro ainda está quente. A redução drástica no tempo de resposta também diminui o risco de acúmulo de alertas não tratados, ponto sensível em fiscalizações.

  • Volume mensal: 3.000 a 4.000 alertas
  • Tempo anterior: 3 a 4 horas por caso
  • Tempo atual: ~10 minutos por caso
  • Redução: 96%

O papel do analista sai da operação e vai para a decisão

Segundo Bruna Moreira, diretora de prevenção a crimes financeiros da Dock, a mudança altera o perfil da função: o profissional deixa de ser um compilador de planilhas para atuar como investigador de padrões. A tecnologia entrega o dossiê pronto; o humano interpreta, pondera e decide. Em cenários de alta complexidade — como estruturas em camadas ou uso de laranjas —, essa capacidade de julgamento contextual segue insubstituível.

Mas o efeito mais relevante aparece na escalabilidade. Com a triagem automatizada, a Dock consegue absorver picos de demanda — por exemplo, após lançamentos de produtos ou datas sazonais — sem precisar expandir a equipe na mesma proporção. O custo marginal por alerta analisado cai, e a cobertura de risco sobe.

O que observar daqui para frente

A combinação de matriz de risco proprietária com IA generativa para estruturação de narrativas deve ser o próximo passo natural. Instituições que já automatizaram a coleta tendem a evoluir para modelos que sugerem a redação do próprio relatório ao Coaf, mantendo o analista como validador final. Para o mercado, o recado é claro: ganho de tempo em compliance não é mais diferencial — é condição de permanência no jogo regulado.