Economia

Reforma Tributária: 5 candidatos aprovam, mas só 1 ameaça o prazo de 2027

Infográfico da reforma tributária com 5 candidatos apoiando prazo 2027 e 1 ameaçando calendário constitucional
Levantamento mostra 5 presidenciáveis a favor da transição em 2027, mas um flerta com romper o prazo constitucional.

Levantamento exclusivo revela que a maioria dos presidenciáveis apoia a virada de chave em janeiro de 2027, mas a unanimidade acaba aí. Apenas um nome na disputa flerta com a ideia de rasgar o calendário constitucional — movimento que especialistas classificam como “insanidade” para a arrecadação.

O cenário desenha um tabuleiro de risco para quem gere negócios: a transição começa em 15 meses, mas as regras de jogo ainda dependem de quem sentará na cadeira principal.

O cenário eleitoral e o calendário imutável

Dos oito presidenciáveis monitorados, cinco declaram apoio à implementação do novo sistema no prazo constitucional. A diferença está no “como”. O atual presidente defende o texto aprovado no seu mandato, destacando o cashback para o CadÚnico e a desoneração da cesta básica como vitórias a preservar.

Quatro adversários diretos — Renan Santos, Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado — concordam com a data, mas pressionam por ajustes. Zema quer um sistema “sem exceções”. Caiado, que votou contra a aprovação, admite não mexer no cronograma, mas exige uma reforma “profundamente modificada” nos detalhes.

A exceção que gera instabilidade jurídica

Flávio Bolsonaro (PL) isolou-se ao fazer a única crítica estrutural ao modelo. Sua posição oscilou nos últimos meses: em junho, propôs suspender por um ano e criar uma “nova reforma”; em agosto, migrou para “corrigir distorções” e “abreviar a transição”.

O plano de governo prega o corte de exceções setoriais criadas por lobbies. O histórico parlamentar, contudo, mostra contradição: como senador, ele articulou benefícios para armamentos e profissionais liberais — medidas que elevaram a alíquota geral de referência.

O recado do mercado: “Adiar é quebrar a confiança”

Lucas Ribeiro, CEO da Roit, resume o consenso técnico: propor emenda constitucional agora colocaria a arrecadação em risco e geraria crise de credibilidade internacional. A conta dos investimentos já feitos em sistemas e adaptação não fecha se o cronograma mudar.

Não por acaso, 98 lideranças — entre empresários, tributaristas, economistas e políticos — assinaram manifesto entregue aos candidatos. O alerta é direto: a interrupção prejudica União, estados, municípios e o setor privado simultaneamente.

  • Risco fiscal: Quebra de expectativa de receita para 2027.
  • Insegurança jurídica: Contratos e planejamentos tributários inviabilizados.
  • Custo de oportunidade: Bilhões já investidos em tecnologia e compliance perdidos.

O silêncio de 39 candidatos e a disputa nos estados

Quase metade dos 80 nomes monitorados (presidência + governos estaduais relevantes) não se manifestou sobre o tema até setembro. No maior colégio eleitoral, Tarcísio de Freitas (Republicanos) apoia a reforma após calcular ganhos para São Paulo, mas cobra transparência do Comitê Gestor interestadual.

Fernando Haddad (PT), arquiteto da proposta como ministro, promete “abrir a caixa-preta” dos benefícios fiscais paulistas se eleito governador. A posição dos dois líderes em SP sinaliza que a briga federativa será o verdadeiro ringue da implementação.

O que observar daqui para frente

Para o contribuinte e o gestor, a leitura prática é uma: o calendário constitucional dificilmente será alterado. Mateus Pontalti, tributarista, explica que os marcos de transição estão blindados na Constituição. O espaço de manobra real está na regulamentação infralegal — prazos de envio de documentos eletrônicos, procedimentos de fiscalização e cronogramas de exigências acessórias.

O movimento inteligente agora não é apostar no adiamento, mas pressionar por regulamentos claros e estáveis. Quem esperar a definição política para se preparar chega atrasado na largada de 2027.