A Dock reduziu de três a quatro horas para cerca de dez minutos o tempo necessário para avaliar alertas de movimentações suspeitas e comunicá-las ao Coaf e ao Banco Central. A transformação veio após parceria com a Vaas, plataforma que aplica inteligência artificial na gestão de riscos.
O ganho de escala é brutal: a instituição processa entre 3 mil e 4 mil alertas por mês. Mas a velocidade não é o único ponto que merece atenção dos gestores de compliance e áreas de prevenção a lavagem de dinheiro.
O que muda na prática para o analista
Antes da automação, o profissional gastava a maior parte do dia coletando, baixando, extraindo e organizando dados cadastrais, comportamentais e transacionais — inclusive de contrapartes — para montar o dossiê que embasa a análise.
Com a nova arquitetura, a Vaas assume a consolidação e a estruturação dessas informações. O analista passa a atuar apenas na camada de decisão: avaliar indícios, ponderar o contexto e definir se há elementos que configurem suspeita.
Segundo Bruna Moreira, diretora de prevenção a crimes financeiros da Dock, a mudança desloca o esforço humano do operacional para o analítico.
A matriz de risco que filtra o ruído
A plataforma da Vaas atua como camada de triagem antes mesmo da avaliação de risco. A matriz incorpora:
- Dados das contas e perfil dos clientes
- Comportamento transacional histórico
- Sinais de atipicidade e outros fatores de risco
O resultado é uma priorização automática dos casos que realmente demandam atenção. Os alertas de baixo risco seguem fluxo simplificado; os de alto risco chegam ao analista já contextualizados.
O modelo regulatório por trás da mudança
A iniciativa insere-se no processo Msac — Monitoramento, Seleção, Análise e Comunicação — definido pelo Banco Central nas regras de prevenção à lavagem de dinheiro para instituições reguladas.
O Msac exige que a comunicação ao Coaf seja fundamentada em dossiê completo. A tecnologia não substitui a responsabilidade legal: a decisão final de reportar continua sendo da equipe da Dock.
Impacto direto na operação e no custo
Reduzir o ciclo de análise em 96% significa liberar capacidade instalada da equipe de compliance sem contratar mais gente. Em um cenário de aperto de margens e pressão por eficiência operacional, o ganho de produtividade é imediato.
Além disso, a padronização dos dossiês via automação reduz risco de erro humano na etapa de coleta — ponto sensível em auditorias regulatórias.
O que observar daqui para frente
A tendência é que a automação da triagem e da estruturação de dados se torne padrão de mercado para instituições de pagamento e fintechs de médio e grande porte. Quem não adotar camadas inteligentes de priorização terá dificuldade em escalar o programa de compliance sem estourar o orçamento.
Fique atento a dois movimentos: a evolução das matrizes de risco baseadas em machine learning supervisionado e a eventual exigência regulatória de rastreabilidade total do processo decisório — do alerta bruto à comunicação ao Coaf.
