João Rodrigues (PSD) assinou um termo público comprometendo-se a não elevar a carga tributária catarinense caso eleito governador em 2026. O documento foi firmado na manhã desta sexta-feira (18) durante encontro com cerca de 100 lideranças da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), em Florianópolis.
A assinatura ocorre no primeiro dia oficial de campanha permitido pela Justiça Eleitoral. Mas o gesto carrega um peso estratégico que vai além do simbolismo.
Por que a Fiesc importa tanto nesta disputa
A federação reúne os maiores grupos industriais do estado — setor que responde por cerca de 30% do PIB catarinense. O apoio ou a neutralidade da entidade pode definir rumos de financiamento, capilaridade política e narrativa econômica.
Rodrigues apresentou seu histórico à frente da prefeitura de Chapecó como credencial. A cidade, polo do agronegócio e da indústria de processamento de carnes, viu expansão de distritos industriais e programas de incentivo fiscal municipal nos últimos anos.
O que o termo de compromisso realmente diz
- Vedação a aumentos de alíquotas estaduais (ICMS, IPVA, ITCMD)
- Compromisso de não criar novos tributos
- Promessa de revisão de benefícios fiscais apenas com “estudo de impacto econômico prévio”
O texto não detalha como o estado manteria receitas diante de demandas crescentes em saúde, segurança e infraestrutura. Essa lacuna deve alimentar debates nas próximas semanas.
Estradas e pedágios: a outra ponta da equação
Questionado pela NSC TV sobre concessões rodoviárias, Rodrigues foi taxativo: “Cidadão não pode pagar por aquilo que não existe”. Defendeu que pedágios só façam sentido após obras entregues — posição que agrada a transportadores e setor logístico, mas desafia modelos de concessão atuais, onde o investimento privado precede a cobrança.
Santa Catarina tem hoje 12 trechos sob estudo para concessão ou renovação. A definição do modelo caberá ao próximo governador.
O tabuleiro completo: oito nomes na disputa
Além de Rodrigues e do atual governador Jorginho Mello (PL), concorrem Gelson Merísio (PSB), Bruno Pedreiro (PCO), Laís Chaud (UP), Marcelo Brigadeiro (Missão), Professor Marcus Sodré (PSTU) e Ralf Zimmer (PRD). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro; eventual segundo turno, para 25 de outubro.
A fragmentação partidária sugere cenário de segundo turno. Pesquisas recentes mostram Mello e Rodrigues tecnicamente empatados na liderança, com Merísio em terceiro.
O que observar daqui para frente
Três movimentos merecem atenção nas próximas semanas: a adesão de outras federações setoriais (comércio, agricultura, serviços) a manifestos semelhantes; a resposta de Jorginho Mello a esse compromisso — se replicará, ampliará ou atacará a viabilidade fiscal da proposta; e o detalhamento do plano de receitas alternativas, prometido pela campanha de Rodrigues para “os próximos dias”.
Em um estado onde a indústria paga a conta e o eleitor cobra estradas, a equação “sem novos impostos + obras antecipadas” será testada na prática. Quem decifrar o financiamento desse modelo pode levar a vantagem.
