Lucas Ribeiro, candidato ao governo da Paraíba pelo PP, colocou o agronegócio no centro de sua agenda de campanha nesta sexta-feira (18). Em entrevista à TV Cabo Branco, no Parque de Exposição Henrique Vieira de Melo, ele detalhou como pretende manter e expandir as políticas atuais para o setor.
A fala ocorreu no bairro do Cristo, em João Pessoa, durante uma agenda que também previa um comício no município de Pocinhos. Mas foi a promessa de continuidade no campo que chamou a atenção de produtores e lideranças rurais.
O que sustenta a competitividade hoje
Segundo o candidato, dois pilares tornam a Paraíba um dos estados mais competitivos do Nordeste para a aquisição de maquinário agrícola: o rebanho vacinado e as isenções tributárias vigentes. A combinação, segundo ele, reduz custos operacionais e atrai investimentos para a modernização das propriedades.
Tratores e implementos mais acessíveis, argumenta Ribeiro, permitem que o pequeno e o médio produtor mecanizem etapas da produção que antes dependiam de mão de obra intensiva. O resultado direto seria a geração de emprego e renda no campo — bandeira central do discurso.
Impacto direto para quem produz
A lógica apresentada conecta três variáveis:
- Sanidade animal em dia abre portas para mercados exigentes;
- Carga tributária menor sobre equipamentos viabiliza a troca de tecnologia;
- Mecanização eleva a produtividade e cria postos de trabalho qualificados.
Essa cadeia, se mantida, tende a beneficiar especialmente as regiões do semiárido, onde a pecuária de corte e leiteira concentra grande parte da força de trabalho rural.
O que não foi dito — e o que observar
O candidato não detalhou metas numéricas para geração de vagas, nem prazos para eventuais ampliações das isenções. Tampouco mencionou como pretende articular essas políticas com o governo federal, responsável por parte da política tributária sobre máquinas e insumos.
Outro ponto em aberto: a infraestrutura logística. Estradas vicinais e acesso a armazenagem seguem como gargalos históricos para o escoamento da produção paraibana, especialmente no sertão.
Cenários para os próximos meses
Se eleito, Ribeiro herdará um quadro de adimplência sanitária reconhecido nacionalmente — a Paraíba é área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021. Manter esse status exige vigilância constante e recursos para a defesa agropecuária estadual.
Já a competitividade na compra de tratores depende da renovação de convênios de ICMS e de linhas de financiamento como o Pronaf e o Moderfrota. Qualquer alteração nas regras federais pode alterar o cenário desenhado na campanha.
O que acompanhar daqui para frente
Produtores, cooperativas e investidores devem monitorar três frentes: a execução orçamentária da defesa agropecuária, a manutenção dos benefícios fiscais estaduais e a articulação política em Brasília para preservar linhas de crédito rural. O discurso de continuidade só se converte em resultado se essas engrenagens girarem sincronizadas.
