Um estudo da BearingPoint revela um abismo entre testar inteligência artificial e ganhar dinheiro com ela em escala: apenas 13% das companhias estão no caminho certo. O paradoxo? Quase três quartos já veem resultado financeiro positivo, mas a maioria emperra no piloto.
O abismo entre o piloto e a escala
Menos de 30% das organizações pesquisadas ultrapassaram a fase de experimentação. Frederic Gigant, especialista da consultoria, resume o dilema: provar valor e ampliar esse valor são desafios de naturezas completamente diferentes. A tecnologia cruzou um limiar técnico, mas a gestão não acompanhou.
Dois gigantes travando a expansão
Quando questionados sobre o maior obstáculo para crescer, os executivos apontaram duas causas estruturais, quase empatadas:
- Regulamentação: 40% citam as regras legais como freio principal.
- TI legada: 34% travam na integração com sistemas antigos.
A burocracia externa e a dívida técnica interna formam uma pinça que impede a IA de sair do laboratório.
Onde o dinheiro aparece (e onde some)
O impacto financeiro real hoje está no corte de custos, não na geração de receita nova. Os números desenham um cenário conservador:
- 24% das empresas reportam economia de custos igual ou superior a 10%.
- Apenas 4% alcançaram crescimento de receita na mesma proporção.
Além disso, cerca de dois terços dos respondentes estimam um excesso de pessoal de pelo menos 10% — sinal de que a automação já redesenha a força de trabalho, mas a realocação não aconteceu.
Geografia da adoção: China e EUA na frente
A maturidade varia drasticamente por região. China (20%) e Estados Unidos (18%) lideram a implementação abrangente, enquanto a Alemanha fica em 8%. No agregado global, a proporção de empresas com IA profundamente integrada às operações subiu de 7% para 11% entre 2025 e 2026 — um avanço, mas ainda incipiente.
O que observar daqui para frente
O gargalo regulatório tende a se resolver com clareza normativa, mas a modernização da base tecnológica exige investimento pesado e tempo. Para o tomador de decisão, a métrica a monitorar não é quantos pilotos existem, mas a taxa de conversão deles em receita recorrente. Quem resolver a integração com o legado primeiro captura a vantagem competitiva nos próximos dois anos.
