Saúde

Pílula Wegovy supera injeções e faz pacientes perderem mais peso em 3 meses

Comprimido Wegovy (semaglutida) supera injeções em estudo de perda de peso de 3 meses
Estudo mostra pílula diária de semaglutida eliminando 4,1% do peso corporal em 3 meses, superando injeções.

Um estudo apresentado em Milão mostra que trocar as canetas injetáveis pelo comprimido diário de semaglutida resultou em perda de peso superior — e a farmacêutica dinamarquesa vê nisso a chave para retomar a liderança perdida para a Eli Lilly.

Os números surpreendem: em média, 4,1% do peso corporal eliminado em apenas três meses após a mudança. Mas o dado mais relevante para quem acompanha o mercado está nos bastidores da disputa bilionária.

O que os dados revelam sobre a troca de terapia

A pesquisa, divulgada no Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), acompanhou pacientes que migraram de injetáveis — Wegovy, Ozempic e Zepbound — para a versão oral da semaglutida. O peso inicial médio era de 100,5 kg.

Após 90 dias:

  • 4,0 kg perdidos em média
  • Pacientes classificados como obesos caíram de 87,1% para 65,5%
  • Quase 41% alcançaram redução de 5% ou mais do peso corporal

Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk, afirmou que os resultados dissipam dúvidas sobre adesão ao tratamento oral. “Muitos pacientes apresentam resultados ainda melhores com o comprimido”, disse.

Por que isso muda o jogo para a Novo Nordisk

A ação da empresa caiu mais de 70% desde o pico, após a Lilly ultrapassá-la no mercado de obesidade. O comprimido surgiu como contra-ataque estratégico: nos EUA, terapias orais já representam cerca de um terço das prescrições novas, e a Novo detém mais de 80% desse segmento.

O CEO Mike Doustdar projeta que os comprimidos podem capturar até 50% do mercado global de medicamentos para obesidade, estimado em US$ 100 bilhões anuais até 2030.

A ressalva metodológica que ninguém ignora

Os dados vêm de evidência de mundo real, compilados com a empresa de telessaúde Ro. Não se trata de ensaio randomizado: dependem de relatos dos próprios pacientes e não estabelecem causalidade direta. Ainda assim, refletem a prática clínica efetiva — o que, para investidores, costuma pesar mais do que protocolos ideais.

O que observar daqui para frente

O Wegovy oral já está disponível nos EUA, Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes, com expansão prevista para os próximos trimestres. A velocidade de adoção nos novos mercados e a resposta da Lilly com seu próprio pipeline oral ditarão quem lidera a próxima fase dessa disputa. Para o profissional de saúde ou investidor, o sinal está dado: a preferência do paciente pelo comprimido não é mais hipótese — é dado mensurável.