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Nasa injeta US$ 359 mi na Starliner: a aposta arriscada que pode salvar o monopólio da SpaceX

Nave Boeing Starliner acoplada à Estação Espacial Internacional com logotipo da NASA
A Starliner da Boeing acoplada à ISS durante seu único voo tripulado bem-sucedido em 2024.

A Nasa acaba de confirmar mais US$ 359 milhões para a Boeing corrigir a Starliner e certificá-la em um novo foguete. O valor se soma a bilhões já gastos em uma nave que levou astronautas ao espaço uma única vez — e voltou vazia.

A decisão expõe um dilema estratégico: depender apenas da SpaceX ou bancar um plano B que ainda não provou funcionar. O próximo voo tripulado só deve acontecer em 2028.

O que está por trás do novo cheque

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, foi direto: o investimento já feito e o histórico do programa tornam a Starliner o “caminho mais rápido” para manter acesso tripulado redundante à órbita baixa. Empresas e investidores do setor aeroespacial devem ler nas entrelinhas: a agência não quer — e não pode — ficar refém de um único fornecedor.

O contrato anunciado nesta segunda (28) cobre modificações no projeto e a certificação para voar no foguete Vulcan, da United Launch Alliance (ULA), sucessor do Atlas V. Restam apenas seis unidades do Atlas V, que usa motores russos RD-180 — um risco geopolítico que a Nasa quer eliminar.

O rastro de falhas que pesa na conta

O único voo tripulado, em junho de 2024, virou estudo de caso de gestão de crise. Falhas nos propulsores e vazamentos de hélio forçaram a Nasa a estender a missão de oito dias para nove meses. Os astronautas Sunita Williams e Barry Wilmore voltaram a bordo de uma Crew Dragon da SpaceX.

Um relatório interno de fevereiro classificou o episódio como “acidente tipo A” — a categoria mais grave de falha de missão. Ainda assim, a agência optou por consertar em vez de cancelar.

Redundância tem preço, e a conta está subindo

Enquanto a Boeing recebe mais recursos, a SpaceX embolsou US$ 946 milhões por três missões adicionais da Crew Dragon, previstas para 2027 e 2028. A 13ª missão operacional da cápsula de Elon Musk decola nesta quinta (1º).

O contraste é nítido: a SpaceX voa rotina; a Boeing, correção de rota. Mas a Nasa deixou claro que não abre mão de dois fornecedores certificados. “Se um foguete ou nave tiver problemas, preciso poder mudar para o outro”, resumiu Dana Weigel, gerente de programa de órbita baixa.

Cronograma realista (ou otimista?)

  • Dezembro de 2025: voo de carga sem tripulação — teste das correções
  • Meados de 2028: primeira missão tripulada pós-redesign
  • 2030: desativação prevista da ISS; estações comerciais assumem

O astronauta Woody Hoburg já foi designado comandante do próximo voo tripulado. A Boeing, por meio do vice-presidente John Mulholland, reafirmou compromisso de longo prazo.

O que observar daqui pra frente

Três variáveis vão ditar se o dinheiro novo resolve ou apenas alonga o prejuízo: a certificação do Vulcan para voos tripulados (ainda sem data), a taxa de sucesso dos testes de propulsão em solo e a capacidade da Boeing de entregar sem novos estouros de orçamento. Enquanto isso, a SpaceX acelera o Starship — que, se operacional, torna tanto a Crew Dragon quanto a Starliner obsoletas. O jogo não é só levar gente à ISS. É quem define o padrão do transporte orbital na próxima década.