O IGP-M saltou 1,57% em setembro, zerando a queda de agosto e acendendo um alerta para quem tem contratos atrelados a esse índice. A alta não veio de um lado só: produtor e consumidor pressionaram ao mesmo tempo.
Nos últimos 12 meses, o índice acumula 3,34%. Se o seu reajuste anual cai nos próximos meses, a conta vai pesar mais no bolso.
O choque duplo: matérias-primas e energia
O economista Matheus Dias, do FGV IBRE, resume: a composição da inflação mudou. No atacado (IPA), as matérias-primas brutas dispararam 3,61%, puxadas por soja, milho e carne bovina. No varejo (IPC), a conta de luz voltou a subir forte com o fim do bônus de Itaipu.
Resultado: o IPA subiu 2,08% e o IPC foi a 0,50%. Os dois lados da cadeia empurraram o índice geral para cima.
O impacto direto no seu contrato
Como o IGP-M tem peso de 60% no atacado, 30% no consumidor e 10% na construção, a alta de setembro contamina três frentes essenciais:
- Aluguéis: contratos com aniversário nos próximos 30 a 60 dias devem aplicar o acumulado de 12 meses (3,34%).
- Energia e telefonia: fórmulas paramétricas de reajuste tarifário capturam essa variação.
- Serviços e saúde: planos de saúde e mensalidades escolares costumam usar o índice como referência.
Detalhamento dos números de setembro
A tabela abaixo mostra de onde veio a pressão em cada estágio da produção:
- Matérias-Primas Brutas: +3,61% (destaque para commodities agro).
- Bens Intermediários: +0,81% (reversão de queda de 1,90% em agosto).
- Bens Finais: +1,24% (alimentos in natura e combustíveis puxaram).
- Bens Finais (ex): +0,80% (núcleo do produtor acelerou).
No consumidor, a classe Habitação saltou de -1,24% para +1,82% — efeito direto da bandeira tarifária. Alimentação subiu 0,51% e Transportes quase zerou a deflação (-0,08%).
Construção civil dá trégua, mas segue positiva
O INCC-M subiu apenas 0,25% em setembro, bem abaixo dos 0,85% de agosto. Materiais (0,17%), Serviços (0,15%) e Mão de Obra (0,37%) desaceleraram em bloco. Para obras e contratos de empreitada, o alívio é temporário.
O que observar daqui para frente
O calendário do FGV IBRE prevê a próxima divulgação para 29 de outubro. Dois vetores merecem monitoramento: o câmbio — que afeta commodities e combustíveis — e a bandeira tarifária de energia, que deve seguir pressionando Habitação. Se o IPA mantiver tração nas matérias-primas, o IGP-M tende a rodar acima de 3,5% no acumulado anual, tornando reajustes de aluguel e tarifas públicos mais salgados em 2027.
