Justiça

A chapa oculta do Novo: 80 nomes para 77 cadeiras em MG…

Infográfico mostra 80 candidatos do Partido Novo para 77 vagas na Assembleia de Minas Gerais
Partido Novo registra quase um candidato por vaga na disputa por 77 cadeiras na ALMG em 2026

Minas Gerais terá 965 candidatos disputando apenas 77 vagas na Assembleia Legislativa em outubro de 2026. O Partido Novo registrou cerca de 80 nomes, quase um por cadeira, revelando uma estratégia de ocupação total do espaço eleitoral. A pergunta que fica: volume garante bancada?

A disputa promete ser uma das mais fragmentadas da história recente. Com uma média de 12,5 concorrentes por vaga, a barreira para eleger um deputado estadual sobe a cada ciclo. O Novo aposta na pulverização de votos entre perfis variados para furar o teto da cláusula de barreira.

O perfil da chapa: diversidade calculada

A lista não segue o padrão tradicional de “puxadores de voto” únicos. Há médicos, professores, policiais, comunicadores e lideranças de nicho. Nomes como Professor Alípio Policarpo (30001), Dra. Carla Felipe (30444) e Pastor Rosivaldo (30019) sinalizam apelo a bases específicas — educação, saúde e segmento evangélico.

Outro grupo chama a atenção pela identificação profissional imediata na urna: Alex da Farmácia (30033), Carlão da Rádio (30044), Joãozinho da Ambulância (30084) e Timbuca da Tourada (30002). A estratégia parece clara: facilitar a memorização do número pelo eleitorado de baixa informação política.

O peso dos números na urna eletrônica

Em eleição proporcional, o dígito final do número muitas vezes decide o voto de última hora. O partido distribuiu terminados variados — 000 (Rian Pereira), 111 (Lúcio Souza), 222 (Douglas Campos), 333 (Dr. Claudio Lopes), 444 (Dra. Carla Felipe), 555 (Carol Fabbri) — cobrindo sequências fáceis de digitar. É microgestão de campanha em escala industrial.

  • Médicos e área da saúde: 6 candidatos (incluindo Dr. Guilherme Viktor Paolucci e Dr. Maurício)
  • Educação: 4 professores com título na urna
  • Segurança/Forças de ordem: Pelo menos 3 nomes com perfil policial ou militar
  • Comunicação: Radialistas e influenciadores locais

Essa fragmentação tem custo. Sem um “voto de legenda” forte concentrado em poucos líderes, a soma total da chapa precisa ser expressiva para converter em cadeiras. Em 2022, o Novo elegeu 3 deputados estaduais em MG com votação concentrada. O modelo 2026 é outro.

Cláusula de barreira e o cálculo de sobrevivência

Além das cadeiras, a votação total da chapa define o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV nos próximos quatro anos. Cada voto em Marcela Trópia (30400), Bruno Castro (30747) ou Professor Lacombe (30800) conta para o coeficiente partidário. A legenda não pode se dar ao luxo de “votos perdidos” em candidatos sem estrutura mínima.

O risco real é a pulverização excessiva. Se a maioria dos 80 nomes ficar abaixo de 5.000 votos, a soma pode não atingir o quociente eleitoral necessário para a segunda ou terceira vaga. O partido aposta que a capilaridade compense a falta de “estrelas”.

O que observar até 4 de outubro

A campanha oficial começa em 16 de agosto. O termômetro real será a capacidade de cada nome converter base própria — sindicatos, igrejas, associações de bairro, categorias profissionais — em votos nominais. Candidatos como Saori Volkov (30004), Zé Laviola (30011) e Wagner Suhadolnik (30099) testarão se a capilaridade microterritorial supera a máquina dos partidos tradicionais.

Para o eleitor mineiro, a leitura prática é simples: a urna terá 965 opções. Saber o número exato do candidato escolhido antes de entrar na cabine deixa de ser detalhe — vira condição de eficiência. O TSE disponibiliza a consulta completa por nome, número e ocupação no portal DivulgaCandContas. Anotar o código de cinco dígitos evita voto nulo por erro de digitação.

No dia 4 de outubro, a contagem dirá se a aposta na quantidade e na diversidade de perfis do Novo construiu uma bancada ou apenas inflou a estatística de candidatos. O tamanho da bancada define a força do partido no jogo de comissões, relatorias e votações estratégicas na ALMG nos próximos quatro anos.