Uma força-tarefa federal derrubou 506 sites de apostas online em menos de 72 horas após a medida provisória que proibiu as bets no país. Paralelamente, uma rede de divulgação com 212,6 mil usuários ativos no Telegram entrou na mira dos órgãos de controle. O movimento sinaliza que a retirada formal das plataformas é apenas a primeira camada de uma operação muito mais ampla.
O Ministério da Justiça e a Fazenda atuam em conjunto para impedir que a proibição seja contornada por novos domínios, aplicativos ou canais fechados. O que chama atenção não é apenas o volume de endereços derrubados, mas a velocidade com que surgiram substitutos.
O surgimento de 440 novos endereços em dias
Dados da plataforma Bet Legal, operada pela Iron Security, revelam que 440 novos sites irregulares surgiram após a publicação da MP. O monitoramento começou em 1º de setembro, mas as primeiras detecções ocorreram em 21 de setembro — quatro dias antes da medida entrar em vigor.
Isso sugere que operadores já antecipavam o endurecimento e preparavam infraestrutura reserva. A força-tarefa agora precisa atuar em duas frentes: derrubar o que existe e impedir que o que nasce ganhe tração.
Publicidade persistente nas big techs
O Ciberlab identificou anúncios ativos no Google, Meta e TikTok mesmo após a proibição. No Google, foram 1,9 mil anúncios detectados. Na Meta, sete anúncios — dois iniciados já durante a vigência da MP.
O relatório aponta indícios de ocultação: páginas com nomes diferentes das marcas anunciadas e domínios que não correspondem ao anunciante. A MP prevê dez dias para retirada de publicidade pré-existente, mas veda qualquer novo anúncio imediatamente.
- Google: 1,9 mil anúncios identificados
- Meta: 7 anúncios, 2 iniciados após a MP
- TikTok: publicidade ativa detectada
- Telegram: 43 canais/grupos, 212,6 mil membros
A engenharia de dissimulação no Telegram
A rede monitorada no aplicativo de mensagens não se limita a propaganda. Foram identificadas promessas de “260% de lucro mensal”, ofertas de “robôs” para apostas automáticas e alegações de taxa de acerto de 99,8%.
Esses elementos configuram não apenas infração publicitária, mas indícios de esquemas de captação irregular de recursos. A lista de 43 canais foi encaminhada aos órgãos competentes para verificação técnica e administrativa dos operadores.
O que observar daqui para frente
O próximo mês será decisivo para medir a eficácia do bloqueio. A capacidade das big techs de detectar links mascarados e anunciantes dissimulados determinará se a proibição tem dentes ou se a operação migra para camadas mais profundas da internet — domínios offshore, aplicativos sideload e redes privadas virtuais.
Para empresários e investidores do setor de tecnologia e compliance, o caso desenha um precedente: a fiscalização de ambientes digitais passa a exigir cooperação técnica em tempo real entre governo e plataformas, não apenas ordens judiciais posteriores. Quem opera em ecossistemas regulados deve incorporar monitoramento proativo de marca e canais paralelos como parte da gestão de risco regulatório.
