Justiça

Tarcísio comemora desistência de Salles e projeta efeito dominó no Brasil

Tarcísio de Freitas discursa em ato de campanha no centro de SP ao lado de Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes
Governador comemora desistência de Salles e projeta união da direita em outros estados

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou a retirada de Ricardo Salles (Novo) da corrida ao Senado como um “gesto de humildade” que une seu grupo político em São Paulo. A fala ocorreu durante ato de campanha no centro da capital, ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A expectativa do palanque é que a movimentação se replique em outros estados na reta final do primeiro turno.

O cálculo por trás da renúncia

Salles abriu mão da candidatura nesta segunda-feira (28) e declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). A decisão visa evitar a pulverização de votos do campo conservador nas duas vagas paulistas para o Senado. Com a saída, a chapa alinhada a Tarcísio passa a concentrar esforços em dois nomes únicos, ampliando a chance de eleger ambos.

Na prática, o movimento transforma uma disputa fragmentada em uma estratégia de “chapa fechada”. O governador evitou cravar que a unidade já está garantida, mas admitiu que o exemplo paulista serve de referência para demais diretórios nacionais.

Impacto direto no eleitor de direita

Para o eleitor que vota alinhado ao bolsonarismo, a sinalização é clara: votar em Derrite e André do Prado passou a ser a única via prática para garantir representação no Senado. A lista abaixo resume o novo desenho:

  • Antes: três nomes competitivos (Salles, Derrite, André do Prado) dividindo o mesmo eleitorado.
  • Agora: dois nomes oficiais, com estrutura de campanha unificada e tempo de TV somado.
  • Meta: eleger dois senadores — o que não ocorre para o campo conservador paulista desde 2010.

O discurso do “freio e contrapeso”

Tarcísio reforçou que a prioridade não é apenas eleitoral, mas institucional. Segundo ele, o Senado precisa retomar o papel de “sistema de freios e contrapesos” que, na visão do governador, estaria enfraquecido. A fala mira o eleitorado que cobra atuação legislativa mais firme contra pautas do Executivo federal.

Flávio Bolsonaro ecoou o tom e cobrou a presença do presidente Lula (PT) no debate da TV Globo, marcado para a próxima quinta-feira. O senador afirmou que estará no confronto e desafiou o petista a comparecer, elevando a temperatura da disputa presidencial na reta final.

Estratégia de rua na última semana

Com o primeiro turno a dias de distância, Tarcísio confirmou que a agenda será intensificada em corpo a corpo nas ruas. A aposta é mostrar entregas dos quatro anos de gestão — infraestrutura, segurança e programas sociais — para converter indecisos. Flávio, por sua vez, manterá caravanas pelo interior e atos na capital.

O senador também pediu que eleitores que pensam em votar nele apenas em um eventual segundo turno antecipem a escolha já no dia 6 de outubro. O argumento: evitar surpresas de abstenção ou votos nulos que beneficiariam adversários.

O que observar nos próximos dias

A adesão de outros diretórios estaduais à tática de “chapa única” ou “apoio concentrado” será o termômetro real da influência do gesto de Salles. Se estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro ou Paraná replicarem a unificação, o bloco conservador chega ao Senado com bancada mais coesa a partir de 2025. Caso contrário, São Paulo permanece como caso isolado — e a fragmentação volta a assombrar o projeto de poder para 2026.