A prefeitura de Feira de Santana assumiu o custo do aluguel de todos os 834 boxes do Shopping Popular Cidade das Compras até dezembro de 2028. A medida, sancionada nesta segunda-feira (28), representa um alívio financeiro imediato para os comerciantes, mas carrega um detalhe que poucos notaram: o município arcou com uma dívida estimada em R$ 9,6 milhões para viabilizar a isenção.
O projeto, de autoria do Executivo, passou por unanimidade na Câmara de Vereadores. Em tese, o lojista não precisa fazer nada — basta manter o box aberto e operando. Mas a contrapartida esperada pelo poder público vai muito além da simples ocupação do espaço.
O impacto direto no caixa do comerciante
Para quem paga aluguel mensal, a isenção libera recursos que podem ser redirecionados a estoque, marketing ou capital de giro. Em um centro comercial que luta contra a vacância e a queda de fluxo, cada real poupado na despesa fixa conta.
A secretária do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Márcia Cristina Ferreira, confirmou que o objetivo central é fortalecer as vendas e melhorar as condições de trabalho. O discurso oficial é claro: o benefício só se sustenta se houver movimento real nos corredores.
O plano para encher os corredores novamente
A isenção não veio sozinha. O pacote anunciado prevê três frentes de atuação simultânea para atrair consumidores de volta ao Shopping Popular:
- Unidade de telemarketing: instalação prevista entre fevereiro e março de 2027, com expectativa de 500 funcionários circulando diariamente no local.
- Casa do Trabalhador: ocupará 700 metros quadrados dentro do próprio shopping, gerando fluxo constante de pessoas em busca de serviços.
- Campanha publicitária em TV: veiculação programada de 15 de novembro até o fim de dezembro deste ano.
O cálculo da gestão é simples: mais gente trabalhando e buscando serviços no local significa mais potenciais clientes para os lojistas. A aposta é que o fluxo orgânico substitua, ao menos em parte, a necessidade de promoções agressivas.
O que a lei não resolve sozinha
Histórico recente mostra que isenção de aluguel, por si só, não garante ocupação plena. Em 2023, a Justiça anulou cláusula que permitia a lacração de boxes por inadimplência, e lojistas tiveram prazo até 30 de novembro para reabrir unidades fechadas. A determinação judicial também cobra a construção de área específica para artesãos — ponto que segue em aberto.
Ou seja: o alívio financeiro é real, mas a viabilidade de longo prazo depende da execução das obras e da instalação das novas âncoras prometidas. Se o telemarketing atrasar ou a Casa do Trabalhador não sair do papel, o fluxo projetado não se materializa.
O que observar nos próximos meses
O primeiro termômetro será a campanha de TV em novembro: se o movimento nas lojas não reagir, a pressão por medidas complementares aumenta. O segundo marco chega em 2027, com a inauguração do call center — atrasos nesse cronograma seriam sinal de alerta.
Para o comerciante, a estratégia prática agora é usar a folga no orçamento para preparar o ponto de venda para o fluxo prometido. Quem esperar passivamente pela “revitalização” corre o risco de chegar em 2028 na mesma posição de hoje, só que sem a isenção.
