Limeira (SP) encolheu o eleitorado em 4,81% desde 2022, uma sangria de 11 mil títulos cancelados que coloca a cidade no topo do ranking regional de perdas. O dado surpreende porque não se deve apenas a mudanças de endereço.
O levantamento do TSE revela que 31 dos 49 municípios da área de Campinas e Piracicaba tiveram redução no número de aptos a votar. Juntas, essas cidades representam 63% do total da região.
O tamanho do encolhimento nas urnas
O município passou de 230.262 para 219.188 eleitores na comparação com o último pleito geral. Campinas aparece em segundo lugar no volume absoluto, com 8.043 baixas, seguida por Santa Bárbara d’Oeste, que perdeu 7.887 votantes.
Em percentual, a queda limeirense supera a média regional e acende um alerta para partidos e candidatos que calculam suas bases eleitorais. Menos eleitores podem alterar o coeficiente partidário e a distribuição do fundo eleitoral.
O que está por trás dos cancelamentos em massa
Muita gente assume que a queda é gente indo embora da cidade. A chefe do cartório eleitoral de Campinas, Egle Prado, esclarece: a transferência de domicílio existe, mas não é o motor principal.
O vilão é uma rotina automática do Tribunal Superior Eleitoral. Em anos sem eleição, o sistema cancela o título de quem deixou de votar em três turnos consecutivos e não justificou a ausência.
A medida funciona como um “pente-fino” para forçar a regularização ou a transferência para o local onde o cidadão realmente mora. Mortes, fraudes e duplicidades completam a lista de motivos.
Lista: principais causas da baixa no cadastro
- Três ausências consecutivas: cancelamento automático em anos não eleitorais.
- Falecimento: baixa por óbito informada ao cartório.
- Duplicidade ou fraude: registros duplos ou irregulares identificados na revisão.
- Transferência de domicílio: eleitor que migrou e regularizou em outra cidade.
O dever de casa que evita surpresas
Quem muda de cidade tem o dever legal de atualizar o título. O bancário Adauto Seno, que já morou em quatro municípios diferentes, resume a rotina: a transferência é feita “de imediato” assim que a mudança se concretiza, evitando o risco de cancelamento por abandono.
A babá Maria Vitória, que tirou o documento aos 16 anos, destaca o peso simbólico de manter a regularidade. Para ela, votar é o instrumento de cobrança posterior, independentemente do resultado nas urnas.
O que observar daqui para frente
Com as eleições municipais de 2024 no horizonte, a tendência é que muitos dos 11 mil limeirenses procurem o cartório para reativar o título a tempo de votar. Historicamente, anos eleitorais provocam corrida de regularização nos meses que antecedem o pleito.
Para o empresário ou investidor local, o recado prático é claro: a base de consumidores e contribuintes ativos na cidade não encolheu na mesma proporção do cadastro eleitoral. O dado reflete burocracia, não necessariamente êxodo populacional. Acompanhe as taxas de reativação nos próximos boletins do TSE para medir o real engajamento cívico local.
