Economia

Carros elétricos terão cota zero, mas tarifa sobe a 35%: impacto no bolso

Regra muda e setor se divide

O governo confirmou a elevação da tarifa de importação de carros elétricos e híbridos para 35%, mas abriu uma exceção que pode mudar a estratégia de quem compra ou vende esses veículos. Uma nova cota com alíquota zero será liberada a partir de julho do ano que vem. Como conciliar essa proteção à indústria nacional com a entrada de modelos mais baratos?

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) manteve o cronograma de aumento de impostos, mas criou uma válvula de escape temporária para o mercado. A medida tenta equilibrar o estímulo à descarbonização com a pressão da indústria nacional.

Como ficam as tarifas e a nova cota

Para entender o cenário, é preciso separar a regra geral da exceção. Veja o detalhamento das novas diretrizes aprovadas:

  • Veículos montados ou semidesmontados (SKD): alíquota sobe para 35% já a partir de julho de 2024.
  • Veículos desmontados (CKD): tarifa vai de 14% para 35%, mas somente a partir de janeiro de 2027.
  • Cota extra com alíquota zero: valerá por seis meses a partir de julho de 2024, limitada a US$ 463 milhões para modelos CKD e SKD.

O valor autorizado para a cota livre de tarifas repete o mesmo patamar vigente até janeiro deste ano. Mas o efeito mais relevante aparece na disputa entre montadoras.

O efeito nos negócios e na cadeia automotiva

Para o governo, a flexibilização temporária das cotas se alinha com as metas de renovação da frota e redução de emissões de CO2. O Gecex afirmou que a ação fortalece a inovação e a descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro.

Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) posicionou a decisão como uma derrota. A entidade declarou que lamenta o resultado e vê a medida com “grande preocupação”.

Na avaliação da Anfavea, a isenção temporária vai contra os interesses de trabalhadores, fabricantes nacionais e empresas de autopeças. Sindicatos e federações empresariais haviam feito dezenas de manifestações públicas contrárias à redução de barreiras nas últimas semanas.

O que observar daqui pra frente

O calendário de implementação cria duas janelas distintas para o planejamento empresarial. A primeira, em julho de 2024, exigirá velocidade das importadoras para usar os US$ 463 milhões da cota adicional antes que o teto seja atingido. A segunda, em janeiro de 2027, marca o fim da diferença tributária entre veículos CKD e SKD.

Empresários e investidores do setor devem monitorar a velocidade de consumo dessa nova cota. Se o limite for alcançado rapidamente, os preços dos modelos importados podem saltar antes do esperado, antecipando a alta da tarifa plena de 35% e impactando diretamente as margens de comercialização no varejo.