A Leapmotor, marca chinesa controlada pela Stellantis, confirmou para o primeiro trimestre de 2027 o lançamento simultâneo de dois compactos 100% elétricos no Brasil. O hatch A05 e o SUV A10 chegam para disputar o segmento mais quente do mercado, com preços estimados entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. A jogada antecipa uma guerra de volume contra BYD Dolphin e Yuan Pro.
Atualmente restrita aos SUVs médios B10 e C10, a fabricante salta para a base da pirâmide com uma ofensiva de volume. A estratégia aposta em dois pilares: autonomia superior a 500 km no ciclo chinês (CLTC) e pacote ADAS completo de série. Mas o efeito real no bolso do empresário depende de um detalhe burocrático: a homologação pelo Inmetro.
A ofensiva da Leapmotor no segmento de entrada
A marca escolheu não escalar degraus. Em vez de lançar um modelo por ano, a Leapmotor entrega a “dupla A” de uma só tacada. O movimento sinaliza urgência da Stellantis em ocupar o vácuo deixado por concorrentes que ainda não renovaram suas linhas de entrada. O hatch A05 (conhecido como B03 na China) e o SUV A10 compartilham arquitetura, mas miram públicos distintos.
O posicionamento de preço é o termômetro. Com faixa entre R$ 150 mil e R$ 170 mil para o hatch e R$ 180 mil a R$ 200 mil para o SUV, a marca ataca o centro da tabela onde hoje reinam o BYD Dolphin e o Geely EX2. A diferença está no conteúdo: frenagem autônoma, piloto adaptativo e câmera 360° saem de fábrica, itens que nos rivais costumam ficar para versões topo.
Conheça o A05: o hatch que quer destronar o Dolphin
Com 4,17 m de comprimento e 2,60 m de entre-eixos, o A05 oferece espaço interno competitivo. A versão de entrada traz motor de 95 cv e bateria de 39,8 kWh para 405 km (CLTC). A topo de linha sobe para 121 cv, bateria de 53 kWh e 510 km de alcance pelo mesmo ciclo.
- Dimensões: 4,17 m (C) x 1,79 m (L) x 1,56 m (A)
- Entrada: 95 cv | 39,8 kWh | 405 km (CLTC)
- Topo: 121 cv | 53 kWh | 510 km (CLTC)
- Preço alvo: R$ 150 mil a R$ 170 mil
O diferencial técnico está no sistema de estacionamento com memória de trajetória: o carro refaz sozinho, de ré, percursos de até 120 metros. Para frotistas, isso reduz acidentes de manobra e tempo de operação em pátios logísticos.
A10: SUV compacto com “sangue” de B10, mas mais acessível
O A10 mede 4,27 m de comprimento e mantém os 2,60 m de entre-eixos, ficando posicionado logo abaixo do B10. A motorização é mais vigorosa: a versão de entrada já entrega 176 cv com a mesma bateria de 39,8 kWh (405 km CLTC). A topo de linha vai a 197 cv, bateria de 53 kWh e 500 km de autonomia CLTC.
- Dimensões: 4,27 m (C) x 1,81 m (L) x 1,63 m (A)
- Entrada: 176 cv | 39,8 kWh | 405 km (CLTC)
- Topo: 197 cv | 53 kWh | 500 km (CLTC)
- Preço alvo: R$ 180 mil a R$ 200 mil
O alvo declarado é o BYD Yuan Pro. A vantagem do Leapmotor está no torque de 20,4 kgfm disponível nas duas versões, garantindo saídas mais ágeis que o concorrente direto em regime urbano. O pacote ADAS replica o do hatch: ACC, permanência em faixa, frenagem autônoma e monitoramento de ponto cego.
Segurança ativa como padrão, não opcional
Ambos os modelos trazem o sistema Leapmotor Pilot de série. A lista inclui alerta de tráfego cruzado traseiro, monitoramento de fadiga do motorista, farol alto automático e visualização transparente do chassi (útil em fora-de-estrada leve). Para o gestor de frota, a padronização elimina a dor de cabeça de especificar opcionais de segurança em cada pedido de compra.
Mas o efeito mais relevante aparece na depreciação. Carros com ADAS completo de fábrica tendem a segurar melhor o valor de revenda no mercado corporativo, reduzindo o Custo Total de Propriedade (TCO) ao final do ciclo de renovação.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definem se a “dupla A” vira case de sucesso ou apenas mais um lançamento chinês:
- Homologação Inmetro/WLTP: Os números CLTC são otimistas. A autonomia real no ciclo brasileiro costuma cair 20% a 25%. O hatch topo pode entregar ~380 km reais; o SUV, ~375 km.
- Rede de concessionárias: A Stellantis promete expandir pontos de venda Leapmotor para 50 cidades até o lançamento. A capilaridade de pós-venda ditará a confiança do frotista.
- Tributação 2027: A alíquota de importação para elétricos sobe para 35% em julho de 2026. Se a produção local não iniciar antes do lançamento, os preços estimados podem subir R$ 10 mil a R$ 15 mil.
O sinal verde para o empresário é monitorar a nacionalização de componentes. Se a Stellantis confirmar CKD (montagem local) em Goiana (PE) ou Porto Real (RJ) para 2027, a dupla A deixa de ser “importado caro” e vira opção estratégica de renovação de frota leve.
