Economia

BBI rebaixa Klabin, corta Suzano e revela sua única compra no setor…

Gráfico de ações Suzano e Klabin com análise Bradesco BBI rebaixamento celulose
Bradesco BBI mantém Suzano como compra e rebaixa Klabin para neutra no setor de celulose

O Bradesco BBI adotou postura mais seletiva para papel e celulose, reduziu projeções de preço da commodity e cortou os preços-alvo das duas gigantes do setor — mas manteve apenas uma com recomendação de compra.

A Suzano (SUZB3) segue como top pick da casa e única produtora de celulose com indicação de compra na cobertura do banco. A Klabin (KLBN11) foi rebaixada para neutra.

Os novos números que mudam o jogo

O banco cortou em 14% as estimativas agregadas de Ebitda setorial para 2027. A projeção de preço da celulose de fibra curta para 2027 caiu de US$ 605 para US$ 584 por tonelada. No longo prazo, a estimativa recuou de US$ 600 para US$ 570.

  • Suzano (SUZB3): preço-alvo reduzido de R$ 73 para R$ 59 (fim de 2027); recomendação mantida em compra
  • Klabin (KLBN11): preço-alvo cortado de R$ 24 para R$ 21; recomendação rebaixada de compra para neutra

Os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes assinam o relatório que fundamenta a revisão.

Curto prazo: alívio momentâneo

Apesar da cautela estrutural, o BBI enxerga melhora no cenário imediato. A retomada das compras chinesas, estoques baixos entre fabricantes de papel e a recomposição antes do quarto trimestre de 2026 viabilizaram os reajustes de setembro.

Há espaço para nova alta de US$ 20 por tonelada em outubro. Mas a leitura muda de figura quando o horizonte se amplia.

Por que a oferta preocupa no longo prazo

Três vetores pressionam o equilíbrio futuro: expansão da produção integrada de celulose na China, sobrecapacidade no mercado de papel e entrada de novos projetos globais. O resultado esperado é crescimento da oferta acima da demanda — cenário que forçou o banco a separar as teses com mais rigor.

Suzano: liderança de custos e inflexão de caixa

Mesmo com preços menores no longo prazo, o BBI vê a Suzano melhor posicionada para atravessar o ciclo difícil. O pilar central é a liderança de custos da companhia.

A expectativa é de inflexão na geração de caixa em 2027: projeção de R$ 8,8 bilhões, equivalente a 15% do valor de mercado (10% excluindo derivativos). A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda deve cair de 3,3 vezes (2T26) para 2,8 vezes ao final de 2027.

Klabin: valuation equilibrado, desalavancagem lenta

Para a Klabin, a estimativa de Ebitda 2027 foi reduzida em 11%, para R$ 8 bilhões. A valorização acumulada das units pesou na decisão de rebaixar para neutra.

O banco reconhece avanços: melhora na alocação de capital, mix mais favorável de papéis e recuperação do kraftliner. Porém, o múltiplo de 7,1 vezes o Ebitda estimado para 2027 sinaliza risco-retorno equilibrado. A geração de caixa mais limitada deve tornar a desalavancagem gradual.

Fora do radar da celulose: a aposta em Dexco

O BBI mantém compra para Dexco (DXCO3), com preço-alvo de R$ 7. O valuation atrativo (4,6 vezes Ebitda 2027), exposição a queda de juros e expectativa de melhora de caixa sustentam a tese. A alavancagem deve recuar de 2,7 vezes (2T26) para 2 vezes no fim de 2027.

O que observar daqui para frente

O cenário de curto prazo ainda oferece gatilhos de alta para a celulose, mas a sustentação dos preços depende do ritmo de entrada da nova oferta chinesa e da absorção da capacidade ociosa no papel. Investidores devem monitorar os anúncios de capacidade na China e os dados de estoque portuário nas próximas semanas — eles ditarão se o alívio de outubro se estende ou se a pressão estrutural retoma o protagonismo.