A JHSF acaba de colocar no mercado a segunda etapa do Boa Vista Village, complexo de ultraluxo no interior de São Paulo, com lotes a partir de R$ 12 milhões e infraestrutura que inclui campo de golfe profissional e arena de polo. O movimento sinaliza apetite crescente da alta renda por ativos imobiliários de lazer, mesmo com juros elevados.
O lançamento ocorre enquanto o segmento de luxo na capital paulista registra volume recorde: mais de R$ 28 bilhões em vendas nos primeiros meses de 2025, puxado por unidades que ultrapassam R$ 60 milhões. Mas a fatia desse nicho no mercado total ainda é residual — o que torna cada novo projeto um termômetro sensível de confiança dos super-ricos.
O que muda na segunda fase do Boa Vista Village
A nova etapa adiciona 120 lotes de 2.000 a 4.500 m², com preço médio de R$ 14 milhões. A diferença para a fase inaugural, lançada em 2021 e esgotada em 18 meses, está na maturidade da infraestrutura: o campo de golfe de 18 buracos, assinado por Rees Jones, já está operacional, assim como o clube de polo com quatro canchas oficiais.
Outro atrativo é a proximidade do São Paulo Surf Club, lagoa de ondas artificiais inaugurada no ano passado. Juntos, os equipamentos formam um ecossistema de lazer que dispensa deslocamentos — fator decisivo para o público-alvo, que valoriza tempo mais que desconto.
Números que explicam o momento
- R$ 28 bi: volume transacionado no alto padrão paulistano em 2025 (até abril)
- R$ 60 mi: teto de preço de apartamentos vendidos no período
- 4,2%: participação do ultraluxo no total de metros quadrados lançados na cidade
- 18 meses: tempo de venda da fase 1 do Boa Vista Village
Apesar dos números impressionantes, o segmento representa pouco mais de 4% da área lançada em São Paulo. Isso significa que o risco de bolha é baixo, mas também que a liquidez depende de um grupo restrito de compradores — majoritariamente empresários do agronegócio, tecnologia e mercado financeiro.
Por que o interior atrai mais que a capital
A migração do ultraluxo para regiões como Porto Feliz (onde fica o Boa Vista) responde a três vetores: escassez de grandes glebas na cidade, busca por segurança percebida e a consolidação de clubes privados como âncoras de valor. Diferente de empreendimentos urbanos, onde a valorização depende do entorno, aqui o ativo é o entorno.
Mas o efeito mais relevante aparece na cadeia de serviços. A operação do complexo já gera 450 empregos diretos e movimenta fornecedores locais de construção, paisagismo e hotelaria — um impacto econômico que extrapola a incorporação imobiliária.
O que observar nos próximos trimestres
A velocidade de vendas desta fase 2 será o indicador-chave. Se repetir o ritmo da etapa anterior, a JHSF pode antecipar a fase 3, prevista originalmente para 2027. Paralelamente, vale monitorar o comportamento dos fundos imobiliários (FIIs) de lajes corporativas e shoppings: a migração de renda para ativos de lazer pode pressionar yields de papéis tradicionais.
Para investidores e empresários, a lição prática é clara: o dinheiro grande não sumiu — só mudou de endereço. Entender a geografia nova do luxo no Brasil é pré-requisito para quem quer captar ou alocar capital nesse estrato.
