Economia

Eleições 2026 no Paraná: 8 candidatos, propostas radicais e o que muda no seu bolso

Collage dos 8 candidatos ao governo do Paraná nas eleições 2026, incluindo Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho
Os oito postulantes ao Palácio Iguaçu apresentam propostas que vão de agência anticorrupção a expropriação de setores estratégicos

A RPC encerrou a rodada de entrevistas com os oito postulantes ao Palácio Iguaçu e o espectro de propostas vai da criação de uma agência anticorrupção à expropriação de setores estratégicos da economia. O eleitor paranaense tem até outubro para separar o viável do discurso de palanque.

Três nomes lideravam a pesquisa Quaest estimulada e ganharam sabatinas ao vivo de 30 minutos: Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT). Os demais cinco responderam em blocos mais curtos, exibidos na sexta-feira (18). A ordem dos debates ao vivo foi sorteada com assessores presentes.

O eixo central: saúde, energia e segurança no radar dos favoritos

Sergio Moro aposta na bandeira que o projetou nacionalmente. Propõe a Agência Estadual de Combate à Corrupção, com diretoria de mandato fixo de quatro anos, poder para auditar licitações e investigar enriquecimento ilícito. A promessa: cada real recuperado vira recurso para saúde, educação e infraestrutura. Na saúde, o ex-juiz quer criar a Tabela SUS Paranaense, complementando os valores federais para ampliar consultas, exames e cirurgias e reduzir filas.

Sandro Alex (PSD) foca na gestão de risco climático. Revelou que já tramita um projeto de resiliência para conter enchentes em União da Vitória, classificado como uma das obras mais caras da história do estado. Na energia, promete investimentos para melhorar o abastecimento da Copel e disse que 25 mil quilômetros de rede trifásica já estão “na porteira” do produtor rural — faltando definir, com a Assembleia Legislativa, como viabilizar a conexão final.

Requião Filho (PDT) parte para o confronto direto com a privatização da Copel. Anunciou que tentará reverter a venda na Justiça e prevê, no plano de governo, a recompra de ações pelo Estado. No primeiro dia de mandato, faria uma auditoria na empresa e pressionaria a Aneel por tarifas mais justas. Na educação, defende o fim das escolas cívico-militares, argumentando que não há “diferença palpável” no currículo e que o efetivo da PM seria melhor aproveitado no Batalhão Escolar.

Propostas estruturais: da jornada de trabalho à reestatização ampla

  • Adriano Funileiro (PCO): salário-mínimo estadual de R$ 7,5 mil (parâmetro Dieese) e jornada de 5 dias × 7 horas, com fins de semana e feriados livres.
  • Samuel Mattos (PSTU): expropriação dos principais ramos econômicos do estado e do país, com gestão via conselhos populares que decidem e fiscalizam o uso do dinheiro público.
  • Alexandre Salomão (Mobiliza): diagnóstico de “falta de planejamento” e defesa de um plano de médio e longo prazo que integre riquezas naturais, comércio e bem-estar social.

Segurança da mulher e denúncias de grande escala

Tayná Miessa (UP) trouxe dados duros: o Paraná é o 3º estado em índice de feminicídio e possui apenas 20 delegacias especializadas da mulher para 399 municípios. Propõe expandir essa rede e redefine segurança pública como “sentir segurança na pele”, não apenas comprar viaturas ou armas. Luiz França (Missão) centrou o discurso no combate à corrupção sistêmica, alegando que seu partido denuncia o banco Master “desde o dia 1” e classificando o caso como “cinco vezes a Lava Jato”.

O que observar daqui para a frente

As sabatinas expuseram dois paradigmas opostos: a aposta em instituições de controle e eficiência de gestão (Moro, Sandro Alex) versus a reestatização e controle popular direto (Requião Filho, Mattos, Funileiro). O eleitor deve cobrar, nas próximas semanas, fontes de financiamento para as propostas de alto custo — como a obra em União da Vitória, a recompra da Copel ou a tabela SUS estadual — e cronogramas de implementação para medidas que dependem de aprovação legislativa ou judicial. O segundo turno das definições começa agora: separar promessa de projeto executável.