Um estudante de Macapá criou uma cápsula biodegradável feita com resíduos da cana-de-açúcar capaz de proteger sementes e acelerar o germinação — e o projeto já garantiu vaga em um congresso científico no Kuwait. Benjamin Pereira de Brito, de apenas 12 anos, transformou o bagaço que viraria lixo em tecnologia para reflorestamento.
A inovação nasceu de um dado simples: o Brasil moeu cerca de 676 milhões de toneladas de cana na safra 2024/25, segundo a Conab, com previsão de alcançar 705,2 milhões em 2026/27. Cada tonelada processada deixa para trás cerca de 280 quilos de fibra. Era matéria-prima sobrando; Benjamin viu matéria-prima faltando.
Do artigo na internet ao laboratório escolar
Tudo começou com uma leitura casual sobre a posição do Brasil como um dos maiores produtores mundiais de açúcar. A pergunta veio na sequência: para onde vai todo esse bagaço? Com orientação da professora Soraya Cristina Leal, do Instituto Nacional Leva Ciência, o garoto desenhou os primeiros protótipos e partiu para testes controlados.
Os experimentos avaliaram dois pontos críticos: eficiência na proteção de sementes e ausência de toxicidade no solo. Resultados iniciais mostraram que a cápsula mantém umidade estável ao redor da semente e se decompõe sem alterar o pH da terra. Parte do lote foi doada à 22ª Brigada de Infantaria de Selva para validação em campo.
Escala piloto e reconhecimento precoce
- Testes em laboratório confirmaram biodegradabilidade completa em até 90 dias.
- Mudas cultivadas com a cápsula apresentaram taxa de germinação 18% superior ao grupo-controle.
- Projeto rendeu credenciais para feiras em Pernambuco, Rio Grande do Sul e, agora, Kuwait.
A professora Soraya destaca que o método ensina a ciência como ferramenta de resolução de problemas reais, não como exercício de gabinete. “Quando ele crescer, com a eco cápsula espalhada por áreas degradadas, vai poder dizer: eu contribuí para combater o efeito estufa”, resume.
O que observar nos próximos ciclos
Benjamin já testa a cápsula em diferentes texturas de solo e regimes de chuva para mapear limites de aplicação em pequenos reflorestamentos. Se a performance se mantiver, a tecnologia pode oferecer uma rota de baixo custo para viveiros municipais e programas de recuperação de APPs — transformando passivo agroindustrial em ativo ambiental. Acompanhe as próximas publicações do Instituto Leva Ciência; os dados de campo da Brigada devem sair ainda este semestre.
