Economia

Bradesco capta R$ 6,5 bi e abre nova rodada; veja o que vem por aí

Sede do Bradesco em São Paulo com gráfico de crescimento financeiro e valores da captação
Bradesco arrecada R$ 6,5 bi na 1ª fase do aumento de capital com meta de R$ 10 bi

O Bradesco confirmou a arrecadação de R$ 6,5 bilhões na primeira fase de seu aumento de capital, operação que mira até R$ 10 bilhões no total. A etapa de preferência encerrou em 4 de dezembro com 402 milhões de ações subscritas, mas ainda há 202,3 milhões de papéis disponíveis para uma nova rodada que começa na próxima semana.

O resultado deixa o banco a um passo de engordar o capital social para R$ 103 bilhões, mas o desfecho final depende de como os acionistas vão digerir as sobras. Entenda o cronograma, os preços e o que observar nos próximos dias.

Como ficou a divisão das ações na primeira etapa

Do total colocado, 252,6 milhões são ações ordinárias (com voto), precificadas a R$ 15,43 cada. Outras 149,8 milhões são preferenciais (sem voto), a R$ 17,64. Os valores já embutem o desconto de 6% anunciado em julho para estimular a adesão.

A subscrição movimentou exatamente R$ 6,5 bilhões — cerca de 65% da meta máxima. O dinheiro entra no caixa para financiar três frentes: tecnologia, eficiência comercial e expansão dos negócios.

O que acontece com as 202,3 milhões de sobras

As ações não exercidas na preferência não somem. Elas serão ofertadas exclusivamente aos investidores que já participaram da primeira fase e manifestaram interesse na reserva. O período de subscrição das sobras ocorre ao longo da próxima semana.

O rateio segue pesos diferentes para ordinárias e preferenciais, conforme regras já divulgadas. Se ainda sobrar papel depois disso, o banco tem duas saídas:

  • Novo rateio entre os mesmos investidores;
  • Leilão dos remanescentes na B3.

Existe ainda a possibilidade de homologação parcial pelos controladores, que se comprometeram a aportar até R$ 8 bilhões no conjunto da operação.

Por que o banco foi ao mercado agora

Quando anunciou o aumento em julho, a gestão citou dois pilares: o ROE recorrente (retorno sobre o patrimônio líquido) e a expectativa de queda dos juros no Brasil em 2026 e 2027. A leitura interna é de que capital mais barato à frente torna o balanço mais elástico para crescer.

O CEO Marcelo Noronha reforçou que o momento permite capturar oportunidades de expansão sem pressionar índices de capital regulatório. A operação, portanto, é ofensiva — não de socorro.

O que observar daqui para frente

Acompanhe a taxa de adesão na rodada de sobras: ela sinaliza o apetite real dos atuais acionistas. Se a procura for fraca, o leilão na B3 vira termômetro de preço para o papel no mercado secundário. Outro ponto é o ritmo de deploy do capital — se os investimentos em tecnologia e expansão entregarem o ROE projetado, a diluição de hoje pode se pagar sozinha em poucos trimestres.