Economia

O segredo dos R$ 30 mil em 5 dias: moda, festival e uma virada de chave

Daniella Deslandes, empreendedora da Love.D, expõe moda autoral no Rock in Rio 2024
Ex-produtora do festival, Daniella retorna como expositora com meta de R$ 30 mil em vendas.

A empresária Daniella Deslandes projeta faturar até R$ 30 mil nesta edição do Rock in Rio, quase 50% a mais que o resultado de 2024. A meta ambiciosa não nasce do acaso: ela conhece cada esquina da Cidade do Rock muito antes de expor suas araras por lá.

Dona da marca Love.D, de Nova Friburgo (RJ), Daniella passa a tesoura na própria história. Por oito anos, foi produtora do festival. Hoje, retorna como expositora com uma coleção desenhada sob medida para o público que trata o look como parte do ingresso.

A engenharia por trás da arara

Não basta levar roupa bonita. A empreendedora montou uma operação de varejo dentro de um evento de entretenimento. O tíquete médio gira em torno de R$ 300 e o estoque travou em 250 peças, entre renda, franjas, transparências e a paleta clássica de preto, branco e marrom.

A logística resolve o maior gargalo de quem compra em festival: onde guardar a sacola. A marca oferece mochilas personalizadas e entrega em pontos estratégicos do Rio. O cliente curte o show; a venda fecha sem atrito.

  • Investimento inicial no negócio: R$ 100 mil
  • Divisão de vendas: 50% loja física / 50% e-commerce
  • Peças levadas para o evento: 250 unidades
  • Faturamento 2024 (4 dias): ~R$ 20 mil
  • Meta 2026 (5 dias): R$ 25 mil a R$ 30 mil

O atalho que a experiência deu

Conhecer a engrenagem por dentro muda o jogo. Daniella sabe o fluxo de gente, os horários de pico, a geografia dos palcos. Essa inteligência de “casa” permite decisões que um estreante levaria edições para aprender.

Para Roberta Medina, vice-presidente executiva do festival, a presença de pequenos negócios vai muito além do caixa imediato. A vitrine vale networking, captação de leads e validação de marca perante milhares de potenciais embaixadores orgânicos.

O ecossistema que move R$ 3 bilhões

O Rock in Rio não é apenas palco; é motor econômico. A estimativa oficial aponta impacto de R$ 3 bilhões, puxado por mais de mil empresas diretas e indiretas. Nesse oceano, a moda autoral encontra um canal de aquisição de cliente com CAC (custo de aquisição) difícil de replicar em mídia paga.

Daniella entende a equação: o lucro direto dos cinco dias paga a conta, mas o ativo real é a base de contatos qualificados que levam a marca para fora da Cidade do Rock.

O que observar daqui para frente

A aposta em coleções cápsula para eventos sazonais tende a se profissionalizar. Quem dominar a tríade produto temático + logística de experiência + inteligência de dados do evento transforma participação pontual em canal de venda recorrente. O próximo passo natural é medir a taxa de recompra desse público “festival” nos 360 dias até a próxima edição.