A Fundação Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação Egberto Costa (Funtitec) entrega nesta sexta-feira (18), às 15h, o primeiro Polo de Ciência e Tecnologia de Feira de Santana. O equipamento funcionará na Associação São Brás, no bairro Mangabeira, e promete encurtar a distância entre inovação e o dia a dia de negócios da região.
O prefeito José Ronaldo preside a solenidade aberta ao público. Mas a cerimônia é apenas o ponto de partida: o verdadeiro teste será a capacidade do espaço de gerar conexões reais entre universidades, startups e o tecido produtivo local.
Por que a localização no Mangabeira não é por acaso
A escolha da Rua Campinorte, nº 70, coloca o polo em uma área de adensamento populacional e vocação comercial. Diferente de iniciativas concentradas no centro administrativo, a estrutura nasce dentro da comunidade — o que facilita o acesso de microempreendedores, estudantes de escolas técnicas e moradores que historicamente ficam à margem dos editais de inovação.
A Funtitec sinaliza que o espaço terá laboratórios de prototipagem, salas de capacitação e ambientes de coworking. A meta declarada: atender pelo menos 500 pessoas nos primeiros seis meses entre cursos, mentorias e eventos de conexão com mercado.
O impacto direto para quem tem CNPJ ativo
Para o empresário local, a novidade chega com três frentes práticas:
- Capacitação de equipe sem deslocamento: cursos de automação, análise de dados e marketing digital serão ofertados in loco, reduzindo custos de viagem a Salvador.
- Acesso a editais de fomento: a Funtitec funcionará como ponte para linhas do Finep, CNPq e Sebrae — muitas vezes desconhecidas por quem está fora do circuito acadêmico.
- Validação de produto: a infraestrutura de prototipagem permite testar MVP (Produto Mínimo Viável) antes de investir em produção em escala.
Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.
A ponte com o agronegócio do semiárido
Feira de Santana é porta de entrada para o sertão baiano. O polo pode se tornar hub de soluções para irrigação inteligente, monitoramento de rebanho e rastreabilidade de cadeias — demandas reais de produtores que hoje contratam consultorias de fora do estado. A proximidade com a Embrapa Semiárido e universidades regionais cria condições para projetos de P&D aplicada saírem do papel.
Dados do IBGE mostram que o PIB agropecuário da microrregião supera R$ 1,2 bilhão ao ano. Cada ponto percentual de ganho de eficiência via tecnologia representa dezenas de milhões na economia local.
O que observar daqui pra frente
A inauguração é o marco zero. O indicador a monitorar nos próximos 90 dias é a taxa de ocupação dos laboratórios e a quantidade de editais locais lançados com contrapartida do município. Se a Funtitec conseguir transformar o espaço em porta de entrada para recursos federais — e não apenas em mais um prédio público —, o polo deixa de ser notícia e passa a ser ativo estratégico para quem empreende na região.
Empresários que quiserem mapear oportunidades devem cadastrar-se no site da fundação ainda esta semana: as primeiras turmas de capacitação gratuita terão vagas limitadas e prioridade para CNPJs sediados no município.
