Ciência

O segredo por trás do maior império de ciência do Brasil: como dois opostos viraram referência

Laura Marise e Átila Iamarino, criadores do Nunca Vi 1 Cientista, maiores divulgadores de ciência do Brasil
A farmacêutica Laura Marise e o biólogo Átila Iamarino, fundadores do maior canal de divulgação científica do país.

Duas formações opostas, uma única obsessão: transformar ciência complexa em linguagem de gente. Foi assim que a farmacêutica Laura Marise e o biólogo Átila Iamarino construíram o “Nunca Vi 1 Cientista”, hoje a maior autoridade em divulgação científica do país, com milhões de seguidores e faturamento diversificado.

A parceria não nasceu em um laboratório, mas no choque entre a rigidez acadêmica e a urgência das redes sociais. O resultado? Um modelo de negócio que prova: credibilidade viraliza.

A origem improvável que ninguém apostaria

Laura vivia imersa em pós-graduação e regulatórios da Anvisa. Átila já testava formatos no YouTube quando a plataforma ainda era terra de gamers. O encontro aconteceu em um evento de ciência, mas a faísca veio da frustração compartilhada: artigos importantes morriam em revistas indexadas, enquanto mitos perigosos corriam soltos no WhatsApp.

Eles perceberam que o vazio não era de conteúdo, mas de tradução. Decidiram, então, criar uma “ponte” diária entre o laboratório e a sala de estar.

O modelo de negócio por trás da credibilidade

Diferente de muitos influenciadores, a dupla não dependeu de um único viral. A estruturação comercial veio cedo, baseada em três pilares que garantem perenidade:

  • Conteúdo proprietário: livros best-sellers, newsletters segmentadas e cursos de pensamento crítico.
  • Parcerias institucionais: contratos com órgãos públicos e privados para campanhas de saúde baseadas em evidência.
  • Educação corporativa: treinamentos para empresas que precisam combater desinformação interna e tomar decisões baseadas em dados.

Essa diversificação blindou o projeto contra mudanças de algoritmo — o maior risco de quem vive só de views.

A fórmula do “Mito do Dia” que virou produto

O formato mais famoso da marca nasceu de uma necessidade prática: responder dúvidas reais da audiência com velocidade. A estrutura é simples, mas letalmente eficaz:

  1. Coleta de dúvidas reais nos comentários e direct.
  2. Curadoria de artigos científicos recentes (últimos 12 meses).
  3. Roteiro com gancho, evidência e “veredito prático” em menos de 60 segundos.

O segredo não é a ciência — é a empatia. Eles não explicam *para* o público; explicam *com* o público.

O erro que quase matou o projeto no início

No começo, a dupla tentou replicar o tom acadêmico: passivo, cheio de “portanto” e “consequentemente”. O engajamento estagnou. A virada veio quando assumiram a persona de “colegas curiosos” que também erram, mas sabem como checar.

Humanizar a autoridade foi o maior acerto estratégico. Hoje, a frase “eu também acreditava nisso” abre portas que “estudos mostram” mantinha fechadas.

O que observar daqui para frente

A próxima fronteira não é mais alcance, mas profundidade. O “Nunca Vi 1 Cientista” testa formatos longos (documentários e podcasts investigativos) e expande para a educação formal, fechando parcerias com redes de ensino para levar pensamento crítico ao currículo base.

Para o mercado, o recado é claro: a ciência virou ativo de marca. Quem souber traduzir evidência para decisão — seja em saúde, finanças ou ESG — captura a confiança do novo consumidor. A dupla prova que o laboratório mais rentável hoje fica na interseção entre rigor e conversa.