Uma nova pesquisa Datafolha divulgada a duas semanas do primeiro turno revela um cenário inédito: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados nas três principais métricas eleitorais. A distância entre eles caiu para o menor patamar desde maio.
O levantamento, encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, aponta 39% para o petista e 36% para o senador no primeiro turno. Mas o que esse aperto real significa para a reta final da campanha?
Os números brutos do primeiro turno
Com margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença de três pontos coloca os dois candidatos em situação de empate técnico. Veja como ficaram as intenções de voto estimuladas:
- Lula (PT): 39% (estável em relação à semana anterior)
- Flávio Bolsonaro (PL): 36% (subiu um ponto)
- Augusto Cury (Avante): 6%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Romeu Zema (Novo): 2%
- Demais candidatos: 1% ou menos
- Branco/nulo/nenhum: 6%
- Indecisos: 3%
O instituto ouviu 2.002 eleitores entre 15 e 16 de setembro. O registro no TSE é BR-04029/2026, com nível de confiança de 95%.
A trajetória do aperto: de dez para três pontos
A aproximação não aconteceu da noite para o dia. Em junho, a vantagem de Lula chegava a dez pontos percentuais. Desde então, a curva foi de redução contínua: oito em julho, seis em agosto, cinco no início de setembro, quatro na semana passada e agora três.
Esse movimento sugere consolidação do eleitorado do senador nas últimas semanas, enquanto o presidente mantém seu patamar estável. Mas o empate técnico também se repete no segundo turno.
Simulação de runoff: vantagem mínima mantida
No confronto direto, Lula marca 46% contra 44% de Flávio Bolsonaro — mesmos percentuais da pesquisa anterior. Brancos, nulos e indecisos somam 9%. A estabilidade nesse cenário indica que os eleitores dos demais candidatos não migram automaticamente para nenhum dos dois polos.
Outro dado chama atenção: a rejeição. Pela primeira vez, os dois líderes aparecem com índices idênticos.
Rejeição simétrica: 47% para cada lado
Quando o eleitor é perguntado em quem não votaria de jeito nenhum, Lula e Flávio Bolsonaro empatam numericamente com 47% cada. Na pesquisa anterior, ambos tinham 46%.
Essa simetria reforça a polarização: quase metade do eleitorado descarta um, e a outra metade descarta o outro. Os demais candidatos ficam bem abaixo: Renan Santos (15%), Romeu Zema (14%), Ronaldo Caiado (13%).
O que observar nas próximas duas semanas
Com 3% de indecisos no primeiro turno e 1% no segundo, o espaço para virada existe, mas é estreito. A campanha entra na fase de mobilização de base e convencimento dos últimos hesitantes.
Dois fatores podem desequilibrar: o comparecimento diferenciado entre os eleitorados e eventuais fatos novos nos próximos dias. O horário eleitoral gratuito e os debates finais serão os últimos palcos de grande audiência antes da urna.
Para analistas de mercado e estrategistas políticos, o cenário exige monitoramento diário de tracking polls — pesquisas de acompanhamento mais ágeis — para detectar micro-oscilações que o Datafolha, com sua amostra maior, capta apenas em janelas mais largas.
