O prefeito Sandro Mabel anunciou, neste sábado (8), a proibição total de flanelinhas no entorno de estádios e grandes eventos em Goiânia. A Guarda Civil Metropolitana passa a fazer a fiscalização direta, começando pelo jogo do Vila Nova contra o Criciúma, no estádio Onésio Brasileiro Alvarenga.
A medida atende a uma demanda do vereador Romário Policarpo (Cidadania) e mira, segundo o prefeito, os atritos frequentes entre guardadores informais e torcedores. Mas a promessa de “acabar com o incômodo” levanta dúvidas: como a prefeitura pretende manter a ordem em dias de casa cheia?
Como vai funcionar a fiscalização da GCM
Agentes da Guarda Civil Metropolitana foram posicionados ao redor do OBA horas antes da partida. O objetivo é impedir a abordagem coercitiva de motoristas e a cobrança por vagas em logradouros públicos — prática que, embora comum, não tem respaldo legal.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Mabel afirmou que a ação não se limita ao futebol. Shows, festas populares e quaisquer eventos de grande porte entram no mesmo pacote. A promessa é de presença contínua, não apenas pontual.
Primeiro teste: o que aconteceu no OBA
Horas depois do anúncio, o prefeito gravou novo vídeo direto do estádio. Segundo ele, a área estava “limpa” — sem flanelinhas circulando. Elogiou a atuação da corporação e garantiu que o modelo será replicado.
- Data da estreia: 8 de fevereiro (sábado)
- Evento: Vila Nova x Criciúma — Série B
- Local: Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga
- Órgão responsável: Guarda Civil Metropolitana de Goiânia
Não há, por enquanto, detalhes sobre quantos agentes foram mobilizados nem se houve ocorrências registradas. A prefeitura não divulgou balanço oficial até o fechamento desta reportagem.
O que diz a legislação sobre flanelinhas
A atividade de guardador de veículos em via pública não é regulamentada em Goiânia. O Código de Posturas do município proíbe a exploração de espaços públicos sem autorização. Na prática, porém, a tolerância histórica criou uma economia informal que movimenta valores significativos em noites de jogo.
Especialistas em direito urbanístico apontam que a simples presença da GCM inibe a ação, mas não resolve a raiz: a falta de estacionamento oficial suficiente e a ausência de alternativa de renda para quem vive disso há anos.
Impacto para quem vai ao estádio
Torcedores relatam, há tempos, situações de intimidação, danos a veículos e cobranças abusivas — que chegam a R$ 50 em clássicos. A promessa de fim da prática traz alívio imediato, mas gera pergunta prática: onde deixar o carro?
O entorno do OBA tem poucas vagas regularizadas. Estacionamentos privados nos arredores costumam lotar cedo e praticam preços de evento. Sem flanelinhas e sem estrutura pública alternativa, o risco é de congestionamento ainda maior nas ruas residenciais próximas.
E os trabalhadores informais?
A prefeitura não anunciou programa de transição, capacitação ou inclusão produtiva para os flanelinhas deslocados. Em outras capitais, tentativas semelhantes esbarraram na reocupação dos espaços dias depois, quando a fiscalização afrouxou.
O vereador Romário Policarpo, autor do pedido, não detalhou se há articulação com secretarias de Assistência Social ou Trabalho para absorver essa mão de obra. O silêncio sobre o “depois” preocupa organizações que atuam com população em situação de rua — parcela significativa dos flanelinhas.
O que observar nas próximas rodadas
A eficácia da medida será testada já no próximo jogo em casa do Vila Nova e nos eventos de carnaval programados para fevereiro. Dois indicadores dirão se a promessa vira rotina: a constância da presença da GCM fora de holofotes e a resposta da prefeitura à demanda por estacionamento regular e alternativas de renda. Sem isso, o vácuo tende a ser preenchido — de um jeito ou de outro.
