Educação

O segredo por trás das 20 bolsas de robótica na Zona Norte…

Jovens em aula de robótica na Zona Norte do Rio com bolsas Axia Firjan Sesi
Estudantes participam de curso gratuito de robótica com bolsas integrais da Axia Energia e Firjan Sesi na Zona Norte.

A Axia Energia e a Firjan Sesi acabam de abrir 20 vagas com bolsas integrais para um curso de robótica básica voltado a jovens em vulnerabilidade social na Zona Norte do Rio. A iniciativa vai além da gratuidade: oferece auxílios que removem barreiras reais para a permanência dos alunos.

As inscrições vão até 16 de novembro para aulas que começam em fevereiro de 2027. Mas o detalhe que passa despercebido é a estratégia de longo prazo por trás dessa turma piloto.

Mais que aula: auxílio lanche, transporte e currículo real

O programa cobre custos invisíveis que costumam derrubar a frequência de estudantes de baixa renda. Cada aluno recebe vale-lanche diário e duas passagens de ônibus por dia de aula — terças e quintas, no turno da tarde.

A grade foca em programação, lógica computacional e resolução de problemas. São competências que o mercado clama, mas que raramente chegam à rede pública com essa profundidade.

  • Público-alvo: 14 a 17 anos, matriculados em escola pública.
  • Requisito de endereço: Moradores de Borda do Mato, Divinéia ou João Paulo II.
  • Critério acadêmico: Boas notas e, preferencialmente, participação em olimpíadas de matemática.
  • Local: Unidade Firjan Sesi Maracanã.

O modelo de parceria que empresas deviam copiar

A Axia não entrou apenas com o cheque. A diretora de Sustentabilidade, Márcia Massotti, explicou que a escolha dos territórios dialoga diretamente com a localização dos ativos da empresa. “Investir na qualificação onde possuímos ativos fortalece o poder de transformação da Educação”, disse.

Essa abordagem — alinhar investimento social à geografia do negócio — cria um ciclo virtuoso. A empresa qualifica mão de obra futura no seu quintal, a comunidade ganha perspectivas reais e a instituição de ensino (Firjan Sesi) escala uma metodologia já validada.

Cinco novas turmas até 2028: a aposta de longo prazo

A primeira turma, também de 20 alunos, se forma em novembro de 2026. O compromisso assinado prevê mais cinco edições entre 2027 e 2028. São 120 jovens no total, num investimento que projeta retorno social muito além do curto prazo.

Para Vinícius Mano, gerente de Educação Básica da Firjan, a robótica funciona como “isca intelectual”. Ele argumenta que a modalidade desperta interesse por ciência e tecnologia de forma lúdica, desenvolvendo, de quebra, trabalho em equipe e criatividade — habilidades ditas “soft skills”, mas que são diferenciais duros na contratação.

O que observar daqui para frente

O edital atual é uma porta de entrada. Se o modelo de “bolsa completa + suportes logísticos + recorte territorial” provar efetivo na retenção e empregabilidade, tende a virar case para outras indústrias com ativos no Rio. Acompanhe a taxa de conclusão desta segunda turma e o destino profissional dos formandos de 2026: eles serão o termômetro real desse investimento.