Peças de luxo que mobiliavam a sede do Banco Master e do Will Bank vão a leilão a partir de segunda-feira (9) para tentar ressarcir credores da maior fraude bancária da história do país. O valor estimado mal arranha a superfície do rombo bilionário. Mas a curiosidade em torno dos lotes já supera 70% de lances iniciais.
São mais de 700 lotes espalhados por um galpão inteiro na Grande São Paulo. O leilão público extrajudicial ocorre em duas etapas: a primeira se encerra no dia 9 e a segunda segue até 30 de novembro. A arrecadação mínima projetada é de R$ 1,7 milhão — gota no oceano de centenas de bilhões em prejuízos.
Do refeitório à diretoria: o que está à venda
A variedade impressiona. No andar dos funcionários, geladeiras, micro-ondas e liquidificadores industriais partem de lances modestos. Uma travessa custa R$ 20. Um bar climatizado sai por R$ 22 mil. Um forno elétrico de R$ 6 vai a leilão ao lado de um forno industrial com lance inicial de R$ 47,5 mil.
Subindo para as áreas nobres, o cenário muda. Sofás e banquetas de grife ocupam as salas de espera. Poltronas de designers renomados começam em R$ 12 mil. A televisão de 98 polegadas que ornava a diretoria tem lance mínimo de R$ 14,7 mil.
O destaque que chama atenção de arquitetos e empresas
As estações de trabalho de luxo roubam a cena. Um conjunto de 20 cadeiras de uma prestigiada marca alemã tem lance inicial de R$ 98 mil. Para escritórios de advocacia, contabilidade ou startups em expansão, a oportunidade de adquirir mobiliário premium por fração do valor de mercado é real.
Thiago da Mata, CEO da Kwara — empresa responsável pelo leilão —, confirma o apelo transversal: “Altíssima procura. Mais de 70% dos lotes já têm pelo menos um lance. A procura tende a ser maior, pelo menos do ponto de vista de curiosidade. Vale para pessoa física e jurídica, e os lotes foram montados para atender a todo o perfil de interessado”.
Como funciona e quais os riscos
Todos os itens são vendidos no estado em que se encontram. Não há garantia de funcionamento, nem direito a troca ou devolução. Quem arrematar precisa retirar no local, por conta própria, dentro do prazo estipulado no edital.
O pagamento segue as regras do leilão extrajudicial: sinal no ato do arremate e complemento em até 24 horas, via transferência ou boleto. Inadimplência implica multa e perda do sinal.
- Primeiro leilão: encerra 9 de novembro
- Segundo leilão: vai até 30 de novembro
- Arrecadação mínima: R$ 1,7 milhão
- Lotes com lances: acima de 70%
O cenário por trás dos móveis
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2024 após grave crise de liquidez que impediu a instituição de honrar compromissos no vencimento. A Polícia Federal investiga crimes contra o sistema financeiro. O controlador Daniel Vorcaro está preso.
O leilão integra o processo de liquidação determinado pelo BC. Cada real arrecadado entra na massa falimentar para distribuição entre credores — um grupo que inclui investidores, fornecedores e correntistas lesados.
O que observar daqui para frente
A disputa pelos lotes mais nobres deve se intensificar nos minutos finais de cada etapa. Empresas de móveis corporativos usados e revendedores especializados costumam entrar forte na reta final. Para quem busca oportunidade real, a dica é cadastrar-se na plataforma da Kwara com antecedência, ler o edital completo e vistoriar os itens de interesse durante o período de visitação — se houver.
O desfecho do inquérito da PF e eventuais recuperações de ativos financeiros (não apenas móveis) é que ditarão a real capacidade de pagamento aos credores. O leilão de móveis, embora simbólico e midiático, é apenas a ponta visível de um iceberg bilionário.
