A Le Petit Macarons está acelerando a substituição de quiosques por máquinas de venda automática como resposta direta à escassez de mão de obra no varejo. O movimento ganhou força após a aprovação do fim da escala 6×1: em apenas duas semanas, a rede recebeu cinco pedidos de novas máquinas, volume que antes levava um mês para ser atingido.
A estratégia nasceu de uma constatação pragmática do cofundador Roger Coelho: “Ou você fica chorando ou dá jeito de vender lenço”. Inspirados no modelo americano, onde vending machines vendem de bolos a brownies, os sócios testaram o formato no Brasil e descobriram um efeito colateral inesperado: as máquinas não canibalizam as lojas físicas, elas as alimentam.
A matemática que convenceu os franqueados
O argumento financeiro é o motor da expansão. Um quiosque tradicional exige, no mínimo, três funcionários e um aluguel que parte de R$ 7.000. Resultado: margem líquida próxima de 10%. Já a máquina demanda um único repositor (muitas vezes o próprio franqueado) e ponto de aluguel na casa de R$ 1.000.
- Quiosque: 3+ funcionários | Aluguel ~R$ 7.000 | Margem ~10%
- Vending Machine: 1 repositor | Aluguel ~R$ 1.000 | Margem 30% a 40%
Em alguns pontos, o lucro líquido da máquina já supera o do quiosque, mesmo com faturamento bruto menor. Para o investidor, a equação é simples: menos gente, menos custo fixo, mais dinheiro no bolso.
Por que a loja física não morre
O medo inicial dos franqueados era de que as máquinas roubassem clientes. A realidade mostrou o oposto. O consumidor compra a coleção “frutados” na máquina, prova o sabor framboesa, mas sente falta da bergamota — que não cabe no equipamento. Ele então caminha até o quiosque.
Lá, não leva apenas a bergamota. Acrescenta brownie, chocolate ao leite, creme brulé. O ticket médio sobe. A máquina funciona como “isca” de experimentação de baixo atrito, convertendo passantes em clientes de loja.
Metas agressivas e primeiro passo internacional
A rede encerrou 2024 com 28 unidades entre lojas e quiosques e faturamento consolidado (fábrica + varejo) 13,08% superior a 2023. A meta para 2025 é instalar 30 máquinas; para 2027, o alvo são 100 equipamentos. Paralelamente, a marca negocia a abertura da primeira operação nos Estados Unidos para o próximo ano.
O crescimento projetado para 2026 é de mais 16,12% sobre o resultado consolidado deste ano, sinalizando que a combinação varejo físico + automação entrou no radar dos investidores como vetor de escala.
O que observar daqui para frente
A aceleração da demanda por máquinas pós-debate da jornada 6×1 sugere que a legislação trabalhista atua como catalisador de decisões que já amadureciam nos balanços dos franqueados. O ponto de atenção agora é a capacidade da fábrica de suportar o volume duplo — reposição de quiosques e abastecimento de dezenas de pontos automáticos — sem perder a padronização que sustenta a margem de 40%. Quem conseguir resolver a logística do “último metro” da máquina vai ditar o ritmo da expansão nos próximos trimestres.
