Justiça

Damares avança sobre Michelle e promete “convidar toda parlamentar” para o Republicanos

Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) discursa em evento político sobre filiação de Michelle Bolsonaro
Damares Alves promete convidar todas as parlamentares para fortalecer bancada feminina do Republicanos.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) confirmou uma ofensiva direta para filiar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ampliou o convite: todas as parlamentares estão na mira para reforçar a bancada feminina da sigla. A movimentação expõe rachas na base bolsonarista e sinaliza uma reorganização de forças para 2026.

Em entrevista recente, a senadora não economizou na retórica de venda do partido. “Eu considero o Republicanos o melhor partido para mulheres”, afirmou, citando o histórico de ministras de Direitos Humanos e da Mulher filiadas à legenda. A estratégia é clara: transformar a sigla no principal endereço político da direita feminina.

O gatilho da insatisfação no PL

A articulação não nasceu do vácuo. Segundo bastidores da negociação, Michelle estaria descontente com a condução do PL por Valdemar Costa Neto e com a influência dos filhos do ex-presidente nas decisões da legenda. Esse desconforto abriu a janela que Damares tenta escalar agora.

A reação do comando do PL foi imediata. Valdemar Costa Neto acenou com um contra-ataque: convidar a própria Damares para o Partido Liberal. A resposta da senadora foi direta e pública: “Nunca! Eu estou é convidando Michelle pra vir para o Republicanos”.

O que está em jogo na troca de legendas

A eventual migração de Michelle não seria apenas simbólica. Ela carrega capital eleitoral próprio — foi cabo eleitoral decisiva em 2022 — e funcionaria como ímã para outras lideranças femininas. Para o Republicanos, a filiação resolve um problema matemático: a necessidade de atingir cláusulas de barreira e ampliar o tempo de TV.

  • Bancada feminina: Meta declarada de se tornar a maior da direita.
  • Fundo Partidário: Mais deputadas = mais recursos públicos em 2025.
  • Palco nacional: Michelle como vitrine para pautas de costumes e família.

Riscos e variáveis da equação

O convite “a toda parlamentar” revela a amplitude da ambição, mas esbarra em realidades locais. Muitas deputadas e vereadoras eleitas pelo PL dependem da máquina de Valdemar para reeleição. Trocar de partido agora exige calcular se o ganho de protagonismo no Republicanos compensa a perda de estrutura estabelecida.

Além disso, a relação pessoal entre Michelle e Damares é o fio condutor. São amigas próximas, o que facilita o diálogo, mas torna a negociação sensível a eventuais atritos familiares ou orientações do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda dita o ritmo do eleitorado de direita.

O que observar nas próximas semanas

O desfecho depende de três movimentos simultâneos: a decisão final de Michelle, a capacidade do PL de reter sua base feminina oferecendo contrapartidas concretas (como presidências de comissões ou fundos de campanha) e a definição do Republicanos sobre qual cargo ou protagonismo oferecer à ex-primeira-dama.

Para investidores e analistas de risco político, o termômetro é a janela partidária de 2026. Se a debandada se confirmar, o mapa de tempo de televisão e fundo eleitoral mudará de forma relevante, alterando a viabilidade de chapas proporcionais em estados-chave. Acompanhar as filiações de segundo escalão — vereadoras e suplentes — dará a medida real da força desse “efeito Damares” antes mesmo da decisão da ex-primeira-dama.